Irã propõe reabrir Estreito de Ormuz em dois dias
Plano depende de os Estados Unidos aceitarem as condições de Teerã; negociações seguem por meio de mediadores.
Em resumo
- Irã avalia reabrir Ormuz em até dois dias se os EUA aceitarem suas condições.
- Teerã exige cessar-fogo regional, liberação de ativos e suspensão de sanções.
- A troca de mensagens entre os países continua por meio de mediadores.
O Irã avalia reabrir o Estreito de Ormuz em até dois dias, em vez de uma semana, caso os Estados Unidos aceitem as condições apresentadas por Teerã. A proposta foi anunciada nesta segunda-feira, 2 de novembro, pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei. A passagem é estratégica para o transporte de petróleo e outros hidrocarbonetos e está sob restrições iranianas desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.
Negociações dependem de Washington
Baqaei afirmou que a possibilidade de implementar o plano em dois dias demonstra a boa-fé do Irã. Segundo o porta-voz, se as exigências iranianas forem atendidas, será possível restaurar a segurança no estreito e retomar as negociações em pouco tempo.
O representante iraniano também disse que a troca de mensagens com os Estados Unidos continua por meio de mediadores. A continuidade do processo, porém, depende da resposta de Washington às condições de Teerã. Baqaei afirmou que só depois dessa resposta será possível discutir as etapas seguintes.
A proposta anterior previa um prazo maior para a reabertura. Em setembro, o Irã havia apresentado, por meio do Catar, um plano para liberar a passagem seis dias após uma resposta norte-americana às suas demandas. Um protocolo de acordo firmado em junho já incluía pontos semelhantes, depois de um cessar-fogo iniciado em abril. A trégua foi interrompida, e os ataques foram retomados.
Exigências iranianas e tensão militar
Entre as condições apresentadas por Teerã estão um cessar-fogo regional, a liberação de ativos iranianos mantidos no exterior, o fim das sanções ao setor de petróleo e a suspensão do bloqueio americano aos portos do Irã. No domingo, o chanceler Abbas Araghchi acrescentou a exigência de que Washington aceite a rota de trânsito acordada entre Irã e Omã. Ele também mencionou a redução da presença militar dos Estados Unidos no Oriente Médio.
Desde o começo da guerra, Teerã reivindica o controle do Estreito de Ormuz. As informações sobre a navegação descrevem a passagem como bloqueada ou sujeita a restrições iranianas, e relatam ataques a embarcações que tentam atravessá-la sem autorização.
A possibilidade de acordo ocorre enquanto Estados Unidos e Israel ameaçam retomar os ataques contra o Irã. Baqaei declarou que qualquer nova agressão receberia uma resposta iraniana imediata e ampla. No domingo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também reiterou a ameaça de voltar a atacar o país. A proposta iraniana segue condicionada à aceitação de suas exigências por Washington.