Finlândia pode cortar serviços e benefícios em meio à crise
Dívida pública chegou a 90,3% do PIB, e a eleição de abril de 2027 deve ocorrer em meio à discussão sobre novas medidas de austeridade.
Em resumo
- A dívida finlandesa chegou a 90,3% do PIB no segundo trimestre de 2026.
- O governo de Orpo prevê cortes adicionais de 9 bilhões de euros se ele for reeleito.
- A discussão envolve serviços públicos, benefícios sociais e regras de previdência.
A Finlândia enfrenta a possibilidade de novos cortes em serviços públicos, benefícios sociais e aposentadorias enquanto tenta conter o déficit e a dívida pública, que atingiram níveis não vistos desde a década de 1990. Com eleições previstas para abril de 2027, o debate político no país nórdico já se concentra nas áreas que poderão sofrer reduções, em meio a uma proposta de austeridade para os próximos anos.
Dívida e déficit pressionam o orçamento
O instituto nacional de estatísticas finlandês informou que a dívida pública chegou a 90,3% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre de 2026. Antes da pandemia de covid-19, o indicador estava em cerca de 65%. Em setembro, o Tesouro Nacional projetou déficit fiscal de 4,2% do PIB em 2026.
O governo gasta mais do que arrecada desde a crise financeira mundial de 2008 e 2009. O envelhecimento da população e o crescimento econômico lento também contribuem para a pressão sobre as contas. A Finlândia ampliou os gastos com defesa depois de entrar na Otan, em 2023, e enfrentou custos maiores ao substituir parte do fornecimento de energia que vinha da Rússia.
As regras da União Europeia estabelecem como referências um déficit público inferior a 3% do PIB e uma dívida pública de 60%. O governo do primeiro-ministro Petteri Orpo anunciou a intenção de economizar cerca de 9 bilhões de euros durante a atual legislatura. No início de 2026, todos os partidos, com exceção de um, concordaram em apoiar um mecanismo para reduzir o déficit a aproximadamente 2% do PIB até 2031.
Cortes em debate antes da eleição
Orpo, do Partido da Coalizão Nacional, de centro-direita, prometeu cortes adicionais de 9 bilhões de euros caso conquiste um segundo mandato.