Gaza perde oliveiras e produção de azeite após danos a pomares
Autoridades estimam que restem 150 mil das 2 milhões de oliveiras do território; colheita deve cair para 5 mil toneladas de azeitonas.
Em resumo
- Autoridades estimam que restem 150 mil oliveiras em Gaza.
- A produção de azeite deve cair de 5 mil para 700 toneladas.
- O azeite disponível chega a custar quase US$ 500 por barril.
Agricultores palestinos enfrentam a destruição de oliveiras e o bloqueio de áreas de cultivo na Faixa de Gaza, com reflexos na colheita e no abastecimento de azeite. Em um pomar familiar na região central, Haidar Abu Middain estima que as poucas árvores ainda de pé produzirão apenas dois tambores do produto, insuficientes para atender às necessidades de sua família.
Pomares danificados e áreas inacessíveis
Antes da guerra, o pomar da família de Abu Middain ocupava 900 dunums, cerca de 90 hectares. A colheita reunia aproximadamente 1.500 toneladas de azeitonas, parte vendida in natura e parte prensada para produzir azeite. Segundo o agricultor, o produto abastecia a região central e garantia o sustento das famílias.
Agora, quase metade do terreno está além da chamada “linha amarela”, área vigiada por tropas israelenses. O relato informa que as forças israelenses impedem palestinos de acessar dois terços da Faixa de Gaza. A outra metade do pomar, ainda acessível, foi em grande parte destruída por tratores. Restam, segundo Abu Middain, apenas 20 ou 30 árvores em pé.
As autoridades agrícolas de Gaza estimam que, das 2 milhões de oliveiras existentes no território, restem 150 mil. A previsão é de uma colheita de cerca de 5 mil toneladas de azeitonas, ante as 40 mil habituais. A produção de azeite deve cair para 700 toneladas, em comparação com as 5 mil produzidas normalmente.
Preços e trabalho na colheita
A redução da oferta também afeta os mercados. Imad al-Ajrami, cliente de um mercado em Deir al-Balah, afirma que o valor está muito acima do que as famílias conseguem pagar.
A atividade de processamento também encolheu. Segundo as autoridades, sete prensas de azeite continuam em operação, ante cerca de 40 antes da guerra. Fawaz Zidan, que manteve uma prensa aberta em Deir al-Balah, descreveu a escassez de azeitonas e os danos aos pomares.