Crédito rural tem inadimplência de 9,69%, maior nível desde 2011
Índice entre pessoas físicas foi registrado em agosto. No início da safra 2026/2027, foram contratados R$ 65,7 bilhões em crédito empresarial.
Em resumo
- Inadimplência rural entre pessoas físicas alcançou 9,69% em agosto.
- O índice é o maior da série iniciada em 2011.
- Especialistas discutiram juros menores, análise de crédito e seguro rural como garantia.
A inadimplência do crédito rural entre pessoas físicas chegou a 9,69% em agosto, o maior índice da série histórica iniciada em 2011, segundo dados do Banco Central. O indicador considera operações com parcelas vencidas há mais de 90 dias. O aumento é associado a juros elevados, à queda nos preços das commodities e ao avanço dos custos operacionais, fatores que pressionam as margens dos produtores.
Contratações abaixo do total previsto
No Plano Safra 2026/2027, estão previstos mais de R$ 525 bilhões para a agricultura empresarial. Nos dois primeiros meses da safra, porém, foram contratados R$ 65,7 bilhões, equivalentes a 12,5% do total previsto. Os números apontam dificuldade de acesso ao crédito no início do ciclo, em um cenário no qual a inadimplência também avançou.
Esses fatores são apontados como causas do quadro de atraso nos pagamentos. O indicador divulgado se refere a pessoas físicas e não inclui, na definição apresentada, operações com menos de 90 dias de atraso.
Propostas discutidas para o setor
Especialistas reunidos na segunda edição do Conexão CPEIA, realizada em Piracicaba, discutiram medidas para enfrentar a crise de inadimplência e melhorar o fluxo de crédito aos produtores. Entre as propostas apresentadas estão a redução das taxas de juros e o aperfeiçoamento das análises de crédito.
Outra possibilidade discutida foi a adoção do seguro rural como garantia das operações.
As propostas foram debatidas em meio à baixa proporção de recursos contratados nos dois primeiros meses do Plano Safra 2026/2027. Para a agricultura empresarial, o programa prevê mais de R$ 525 bilhões, enquanto as contratações somavam R$ 65,7 bilhões no período informado. O índice de inadimplência de 9,69% se refere ao mês de agosto e é o maior desde o início da série do Banco Central, em 2011.