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18 de outubro de 2026

Saúde

Estudo com participação brasileira avalia transplante em casos graves

Pesquisa internacional analisou 612 transplantes em pacientes com comprometimento de outros órgãos; três dos 63 centros participantes ficam no Brasil.

Imagem ilustrativa: Equipe médica em ambiente hospitalar relacionado a transplante de fígado
Imagem ilustrativa.
Publicado em 2 min de leitura

Em resumo

  • Estudo internacional reuniu 612 transplantes em 63 centros de quatro continentes.
  • O HCFMUSP contribuiu com 99 procedimentos para a pesquisa.
  • Pesquisadores apontam sobrevida de 70% a 80% entre pacientes graves transplantados.

Pesquisadores brasileiros participaram de um estudo internacional sobre transplantes de fígado em pacientes cuja doença também comprometeu outros órgãos. O trabalho reuniu 612 procedimentos realizados em 63 centros de quatro continentes e apontou que o transplante pode elevar a sobrevida de pessoas em estado grave, que antes muitas vezes não eram consideradas aptas para a cirurgia.

Resultados do estudo

O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP) realizou 99 dos transplantes incluídos na pesquisa. Três centros brasileiros participaram do estudo, chamado Chance. Segundo os resultados apresentados pelos pesquisadores, pacientes com falência de dois ou três órgãos além do fígado podem ter sobrevida de 70% a 80% após o transplante, em comparação com uma faixa de 10% a 20% sem essa possibilidade.

O professor Wellington Andraus, da Divisão de Transplantes de Fígado e Órgãos do Aparelho Digestivo do HCFMUSP, afirmou que a mudança na sobrevida é expressiva. O estudo também indicou recuperação de outros órgãos afetados após o transplante. A doença hepática aguda e grave pode atingir, além do fígado, os rins, o coração, os pulmões e o sistema nervoso central.

Alberto Queiroz Farias, professor da Divisão de Gastroenterologia e Hepatologia Clínica do HCFMUSP, explicou que esses pacientes eram frequentemente considerados graves demais para receber um transplante ou obter benefício com a cirurgia. Para ele, é importante identificar cedo quem está piorando e encaminhar o tratamento a tempo.

Histórias de pacientes

Maria do Carmo Pereira da Silva desenvolveu cirrose associada à gordura no fígado, com comprometimento dos rins. Ela recebeu um transplante há quatro anos e participou do estudo. Já Moisés de Sousa Carrilho teve cirrose causada por hepatite C, com danos aos rins e ao sistema nervoso central.

Os casos ilustram pacientes com doença hepática avançada e comprometimento de outros órgãos. Segundo os pesquisadores, a possibilidade de transplante pode ampliar as alternativas de tratamento para pessoas que, até então, poderiam ficar fora da avaliação para o procedimento.

Na Ásia, o estudo também incluiu transplantes com parte do fígado de doadores vivos. O órgão pode crescer e se regenerar, segundo os médicos envolvidos. Eles apontam como desafios aumentar o número de doadores e divulgar protocolos de cuidados em unidades de terapia intensiva para estabilizar pacientes graves.

Quase 50 mil pessoas aguardam na fila por transplantes, e mais de 2,3 mil precisam de um fígado, segundo os dados apresentados no estudo. A pesquisa foi publicada em revistas da área médica.

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