Unesco registra 189 jornalistas mortos em 2024 e 2025
Levantamento aponta aumento de mortes em zonas de conflito e impunidade de 86%; Guterres pediu investigação e punição dos responsáveis.
Em resumo
- Unesco registrou 189 jornalistas mortos no mundo em 2024 e 2025.
- Zonas de conflito concentraram 127 mortes no período.
- Guterres pediu investigação dos ataques e punição dos responsáveis.
A Unesco registrou 189 jornalistas mortos no mundo em 2024 e 2025, o maior número em um biênio desde 2014 e 2015, quando foram contabilizadas 215 mortes. Os dados foram divulgados em 2 de novembro, Dia Internacional para Acabar com a Impunidade dos Crimes contra Jornalistas. Na mesma data, o secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou assassinatos e a impunidade em 2025 e pediu que ataques contra profissionais da imprensa sejam investigados.
Mortes concentradas em zonas de conflito
Segundo o Relatório sobre a Segurança de Jornalistas e o Perigo da Impunidade, 127 das mortes no biênio ocorreram em países que vivenciam conflitos armados, o equivalente a 67% do total. O número representa aumento de 24% em relação a 2022 e 2023. Cinquenta jornalistas morreram em ataques com drones, e pelo menos 36 foram mortos em ataques a escritórios de veículos de imprensa ou instalações que abrigavam profissionais. Em um desses casos, nove morreram de uma só vez.
O levantamento também encontrou indícios de que jornalistas foram alvejados em pelo menos 15 ocorrências mesmo usando coletes identificados como “imprensa” ou viajando em veículos claramente marcados. A Palestina teve o maior número de mortes: 62, cerca de um terço do total do biênio.
Fora de zonas de conflito, foram registradas 62 mortes, o menor número em 18 anos. Nesse grupo, 17 profissionais foram mortos em escritórios, 33 em veículos e 20 em casa; em alguns casos, familiares também morreram. Quatro foram vítimas de ataques terroristas e sete morreram em situações de manifestação, por ação de manifestantes ou de forças policiais.
Impunidade e dados do Brasil
A Unesco informou que 104 jornalistas morreram enquanto cobriam conflitos armados. Outros 38 trabalhavam em reportagens sobre política e 22 cobriam atividades criminosas; também houve mortes de profissionais que noticiavam corrupção. Para Sylvie Couldray, diretora da área de liberdade de expressão e desenvolvimento da mídia da organização, cobrir certos temas pode ser tão perigoso quanto trabalhar em uma zona de guerra.
Desde 2006, 1.641 jornalistas foram assassinados no mundo, mas apenas 223 casos foram solucionados pelo sistema judiciário. A Unesco calculou em 86% o nível de impunidade neste ano, um ponto percentual acima de 2024 e a primeira alta desde 2012.
No Brasil, o relatório registrou uma morte: a de Luís Augusto Carneiro da Costa, conhecido como Luisinho Costa, assassinado em maio de 2025 no estúdio da Rádio Guarany, em Abaetetuba, no Pará. A Polícia Civil paraense informou que o inquérito foi concluído e enviado à Justiça, com quatro pessoas indiciadas.
Em mensagem pelo Dia Internacional, Guterres afirmou que pelo menos 34 jornalistas foram assassinados em 2025 e que, em média, seis em cada sete desses casos ficam impunes. Ele defendeu a investigação dos ataques e a punição dos responsáveis. Também ressaltou que, desde o lançamento do Plano de Ação da ONU sobre a Segurança dos Jornalistas, em 2012, a impunidade em países sem conflitos armados caiu de 94% para 77%.