Luisa González é presa no Equador por suspeita de lavagem de dinheiro
Aliada de Rafael Correa, a líder oposicionista é investigada por possível irregularidade no financiamento da campanha presidencial de 2023.
Em resumo
- Luisa González foi presa na região de Manabí.
- A investigação apura possível lavagem de dinheiro na campanha de 2023.
- González negou as acusações e o partido disse ter apresentado as contas.
Luisa González, principal líder da oposição no Equador, foi presa de madrugada na região rural de Manabí, a cerca de 300 quilômetros de Quito, sob acusação de lavagem de dinheiro relacionada à campanha presidencial de 2023. A investigação apura se recursos usados na campanha, em que González foi derrotada por Daniel Noboa, teriam vindo da Venezuela. Ela negou as acusações, e seu partido afirmou que já apresentou todas as contas.
Investigação sobre a campanha
González é aliada do ex-presidente equatoriano Rafael Correa, que governou o país entre 2007 e 2017. Ela lidera o partido Revolução Cidadã e, após derrotas nas duas últimas eleições presidenciais, vinha percorrendo o país para organizar a oposição ao governo de Noboa.
A Polícia Federal do Equador investiga a origem do dinheiro que teria sido utilizado na campanha. A acusação contra González ainda é apresentada como parte de uma investigação: a líder oposicionista negou envolvimento em irregularidades, enquanto o partido declarou que as contas da campanha já foram entregues.
Troca de acusações entre presidentes
Noboa também acusou o ex-presidente colombiano Gustavo Petro de envolvimento no esquema. O presidente equatoriano afirmou que está desmantelando uma grande estrutura de narcotráfico e lavagem de dinheiro.
Petro reagiu em uma rede social ao mencionar o Escudo das Américas, iniciativa de cooperação militar com países da América Latina criada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na manifestação, o ex-presidente colombiano criticou a atuação do governo equatoriano e afirmou que a iniciativa não se restringiria ao combate ao narcotráfico, mas também afetaria a democracia.
A prisão ocorre em meio a um cenário de mobilização contra medidas do governo. Na semana retrasada, estudantes e sindicatos foram às ruas para protestar contra as políticas econômicas de Noboa. O presidente equatoriano é aliado de Trump.
González foi candidata à Presidência em 2023 e perdeu para Noboa. A investigação sobre o financiamento da campanha examina se os recursos tiveram origem venezuelana.