Inteligência artificial pode pressionar contas de luz
Centros de dados consomem muita eletricidade; no Brasil, a expansão pode exigir mais geração e redes, com impacto condicionado à divisão dos custos.
Em resumo
- O consumo mundial de energia dos centros de dados pode mais que dobrar até 2030.
- No Brasil, a expansão pode exigir mais geração e ampliação das redes elétricas.
- O impacto nas contas depende de como os custos forem divididos.
A expansão dos centros de dados que sustentam a inteligência artificial pode elevar a demanda por eletricidade e pressionar as contas de luz, caso o consumo cresça mais rápido que a infraestrutura do setor. A Agência Internacional de Energia estima que o consumo mundial de energia desses centros possa mais que dobrar até 2030. No Brasil, a expansão também dependerá da capacidade de produzir e transportar energia até os consumidores.
Consumo crescente e infraestrutura
Os centros de dados reúnem milhares de chips e consomem muita eletricidade. Como a inteligência artificial depende dessas instalações, o crescimento de seu uso pode ampliar a necessidade de energia.
O país pode ganhar espaço nessa expansão por contar com uma matriz elétrica na qual há forte presença de fontes renováveis, como hidrelétrica, solar e eólica. A disponibilidade de energia, porém, não resolve sozinha o desafio: nem toda a eletricidade existente consegue chegar a quem precisa dela. A capacidade das redes de transmissão e distribuição, portanto, é parte da discussão sobre atender novos consumidores.
Se a demanda dos centros de dados avançar acima da capacidade da infraestrutura elétrica, será necessário investir para produzir mais energia e ampliar a rede que leva essa eletricidade aos consumidores.
Quem pode pagar a conta
A divisão desses custos é um ponto central. Uma possibilidade é que as empresas responsáveis pelo aumento do consumo assumam os gastos relacionados à expansão necessária. Dependendo de como os custos forem repartidos, porém, outros consumidores também podem sentir o efeito na conta de luz.
Assim, o crescimento da inteligência artificial não significa automaticamente que as tarifas subirão. A pressão sobre as contas depende de quanto a demanda por energia aumentará, da infraestrutura disponível para atendê-la e de como serão distribuídos os investimentos necessários.