CNI alerta para risco de falta de biocombustíveis até 2035
Estudo projeta déficit de créditos de carbono, pressão sobre os preços e demanda crescente por etanol e biodiesel.
Em resumo
- CNI projeta déficit de até 15,2 milhões de CBIOs em 2035.
- A demanda por etanol pode alcançar 46,2 bilhões de litros em 2035.
- A entidade alerta para possível pressão nos preços dos combustíveis.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) alertou que o Brasil pode não produzir biocombustíveis em volume suficiente para atender às metas de descarbonização até 2035. Em estudo divulgado na quarta-feira (28), a entidade aponta que a diferença entre a expansão prevista do consumo e os investimentos necessários para ampliar a oferta pode levar à escassez e pressionar os preços pagos por consumidores e empresas.
Metas de créditos podem superar a oferta
O estudo “Combustíveis no Brasil: análise do mercado e perspectivas para a descarbonização” estima que a demanda por etanol poderá chegar a cerca de 46 bilhões de litros em 2035. Para o biodiesel, a projeção é de 18 bilhões de litros. Segundo a CNI, porém, a definição de metas para o consumo de combustíveis menos poluentes não assegura, por si só, a construção de novas unidades ou a ampliação das usinas existentes.
Um dos pontos de atenção é o RenovaBio, programa que estabelece metas de descarbonização para distribuidoras. As empresas precisam adquirir Créditos de Descarbonização (CBIOs), emitidos a partir da comercialização de biocombustíveis certificados. Cada crédito corresponde a uma tonelada de dióxido de carbono equivalente cuja emissão foi evitada.
A meta nacional para 2026 é de 48,09 milhões de CBIOs. Para 2035, a trajetória indicativa do governo chega a 73,45 milhões. Nas projeções da CNI, a oferta poderá ficar abaixo do necessário: o déficit começaria em aproximadamente 4,7 milhões de créditos em 2027 e alcançaria 15,2 milhões em 2035. Nesse ano, a meta seria cerca de 26% maior do que a oferta estimada.
Produção efetiva é um desafio
Com a obrigação de compra e uma oferta limitada, os CBIOs podem ficar mais caros. A CNI avalia que esse aumento de custos para as distribuidoras pode ser repassado, ao menos em parte, aos preços finais dos combustíveis.