Nanotyrannus é vendido por US$ 47,3 milhões em leilão
Esqueleto Jodi foi arrematado em Nova York e se tornou o segundo fóssil mais caro já vendido em leilão, atrás de um T. Rex.
Em resumo
- Jodi foi vendido por US$ 47,3 milhões em Nova York.
- O fóssil é um dos três esqueletos relativamente completos de Nanotyrannus conhecidos.
- Pesquisadores criticam leilões que podem retirar fósseis do acesso público.
Um esqueleto de Nanotyrannus foi vendido por US$ 47,3 milhões (R$ 251 milhões) em leilão da Sotheby’s, em Nova York, em 29 de outubro de 2026. O fóssil, chamado Jodi, tornou-se o segundo mais valioso já leiloado, atrás de um esqueleto de T. Rex vendido por US$ 50,1 milhões em julho. A disputa pelo exemplar durou 12 minutos e envolveu seis concorrentes.
Espécime raro e preservado
Jodi é um dos três esqueletos relativamente completos de Nanotyrannus conhecidos pela ciência. Segundo a Sotheby’s, o fóssil reúne 191 elementos ósseos e tem um crânio praticamente completo. Mede 2,9 metros de altura e 5,9 metros de comprimento, pouco mais da metade do tamanho do T. Rex Gus, que detém o recorde de venda de fósseis em leilão.
O lance final ficou muito acima da estimativa inicial, que variava entre US$ 6 milhões e US$ 9 milhões (R$ 30 milhões a R$ 45 milhões). A escassez de exemplares semelhantes pode ter contribuído para o preço, segundo a reportagem sobre a venda.
A espécie Nanotyrannus é tema de debate entre paleontólogos: a questão é se se trata de um dinossauro distinto ou de um T. Rex juvenil. Pesquisadores só recentemente passaram a favorecer a hipótese de que seja uma espécie própria. Com base no tamanho e no desenvolvimento dos ossos, a Sotheby’s classificou Jodi como adulto.
Descoberta e críticas de cientistas
O fóssil foi descoberto em 2019 pela rancheira Jodi Pierson, em Montana, e escavado pelo paleontólogo comercial Clayton Phipps. O nome do espécime homenageia Pierson. Jodi veio da Formação Hell Creek, que se estende por Montana, Wyoming e pelas Dakotas e onde também foram encontrados outros fósseis importantes.
Os elementos ósseos ausentes foram substituídos por peças personalizadas, impressas em 3D e esculpidas. A venda incluiu direitos para que o novo proprietário, cuja identidade não foi divulgada, produza e comercialize réplicas do esqueleto.
A comercialização de fósseis por valores elevados é criticada por pesquisadores que temem que exemplares importantes deixem de estar disponíveis para estudo público. Steve Brusatte, professor de paleontologia e evolução da Universidade de Edimburgo, afirmou que a venda pode afastar um dos melhores esqueletos de Nanotyrannus da exibição em museu.