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11 de outubro de 2026

Ciência

Pegadas na Formação Botucatu podem ser de grande mamífero

Rastros de 130 milhões de anos na Bacia do Paraná são quase duas vezes maiores que os registros anteriores da região.

Publicado em 2 min de leitura

Em resumo

  • Pegadas de 130 milhões de anos podem pertencer a um grande mamífero.
  • O animal teria até 1,55 metro de comprimento, segundo a estimativa dos pesquisadores.
  • A espécie não foi identificada porque não há esqueletos associados aos rastros.

Pegadas fossilizadas encontradas na Formação Botucatu, na Bacia do Paraná, podem ter sido deixadas pelo maior mamífero conhecido que viveu na era dos dinossauros. Com cerca de 130 milhões de anos, os rastros têm mais de 10 centímetros de comprimento e 13 centímetros de largura, dimensões muito superiores às de outras pegadas de mamíferos conhecidas no local.

O que indicam os rastros

A estimativa de porte foi feita a partir do tamanho e do formato das marcas, além da comparação com proporções de outros mamíferos do período. Segundo os pesquisadores, o animal poderia alcançar até 1,55 metro de comprimento, tamanho comparável ao de uma capivara ou de um leopardo.

Os novos registros são quase duas vezes maiores. A Formação Botucatu é rica em rastros fossilizados, mas não preserva muitos esqueletos. Por isso, as marcas permitem estudar animais que não foram identificados por restos ósseos.

Os autores do estudo apontam que as pegadas são mais largas do que compridas, têm quatro dedos curtos com pontas arredondadas e aparecem em trilhas estreitas. A combinação dessas características é compatível com a locomoção quadrúpede de mammaliaformes, grupo que reúne os mamíferos atuais e seus ancestrais mais remotos.

Identidade ainda não confirmada

Sem ossos associados, não é possível determinar a espécie que produziu os rastros. Aline Ghilardi, professora de paleontologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e autora do estudo, ressalta que pegadas não identificam diretamente uma espécie, especialmente porque não são conhecidos esqueletos de mammaliaformes dessa idade no Brasil.

Entre as possibilidades consideradas por Ghilardi estão os triconodontes, conhecidos por dentes com três pontas alinhadas, e os cladotérios, grupo ligado à origem da maioria dos mamíferos atuais. A pesquisadora e os demais autores baseiam a associação ao grupo na anatomia das marcas e na disposição delas ao longo da trilha.

O motivo do tamanho excepcional também permanece sem resposta. Pedro Buck, primeiro autor do trabalho e professor da Universidade do Estado de Minas Gerais, avalia que a competição com dinossauros e outros répteis pode ter limitado o porte da maioria dos mamíferos mesozoicos.

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