Dívida rural: custo dos juros sobe 191% em quatro anos
Estudo do Cepea aponta que a inadimplência rural chegou a 9,7% em agosto de 2026, maior nível da série iniciada em 2011.
Em resumo
- O custo anual dos juros rurais subiu 191% entre 2021 e 2025.
- A inadimplência chegou a 9,7% em agosto de 2026.
- A carteira problemática alcançou R$ 205 bilhões.
No mesmo período, a inadimplência do setor chegou a 9,7% em agosto de 2026, o maior percentual da série histórica do Banco Central, iniciada em 2011, segundo estudo do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), ligado à Esalq/USP.
Crédito mais caro e atraso nas parcelas
O levantamento considera inadimplentes as operações com parcelas vencidas há mais de 90 dias. Em dezembro de 2022, esse indicador estava em 0,77%.
Os pesquisadores Lucilio Alves e Geraldo Barros relacionam a alta ao custo da dívida, às mudanças nas fontes de financiamento e à concentração de compromissos em atividades que perderam margem. Segundo eles, o resultado não decorre simplesmente de um endividamento excessivo em relação à renda do setor.
O crédito contratado a taxas de mercado passou de 5% das operações rurais em 2013 para 40% em 2025. Em agosto de 2026, a inadimplência nesse tipo de linha era de 17,6%, ante 3,8% nas operações com taxas controladas. As linhas a mercado correspondiam a cerca de 43% do saldo de crédito de pessoas físicas, mas concentravam aproximadamente 77% dos valores em atraso.
Pressão sobre grãos e carteira problemática
A rentabilidade também variou entre atividades. De 2021 a 2025, os preços reais dos grãos caíram 28%, enquanto os da pecuária avançaram 12%.
Em agosto de 2026, a carteira problemática do crédito rural somava R$ 205 bilhões, ou 23,8% da carteira ativa, de R$ 862,7 bilhões. O montante reunia R$ 105 bilhões em dívidas renegociadas, R$ 31 bilhões em operações prorrogadas, R$ 48,5 bilhões inadimplentes e R$ 21 bilhões em atraso.
A Medida Provisória 1.376/2026, voltada à renegociação de dívidas rurais, havia alcançado R$ 5,98 bilhões até 5 de outubro, equivalente a 5% dos R$ 120 bilhões estimados inicialmente pelo governo. Desse total contratado, R$ 79 milhões foram destinados à renegociação de dívidas de investimento.