Ucrânia busca rotas terrestres para exportar milho à Europa
Zelenski pediu trânsito de grãos por países vizinhos após ataques russos praticamente paralisarem as exportações agrícolas pelo Mar Negro.
Em resumo
- Zelenski pediu aos países vizinhos que permitam o trânsito de grãos ucranianos.
- Magyar aceitaria a passagem pela Hungria se as cargas seguirem para outros destinos.
- Ataques russos praticamente paralisaram as exportações agrícolas ucranianas pelo Mar Negro.
A Ucrânia busca alternativas terrestres para levar milho à Europa Ocidental após ataques russos afetarem as exportações agrícolas pelo Mar Negro. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenski, pediu à Polônia, à Romênia, à Eslováquia, à Hungria e a outros países vizinhos que permitam a passagem de cargas de grãos, afirmou neste sábado (17) o primeiro-ministro húngaro, Peter Magyar.
Magyar disse que não se oporia ao trânsito das cargas pela Hungria, desde que o país fosse apenas uma rota de passagem para outros destinos. Segundo ele, Zelenski mencionou, em conversa reservada, que seria útil transportar milho em trens lacrados rumo à Europa Ocidental. O premiê afirmou que o pedido retoma uma solução proposta nos primeiros anos da guerra, iniciada em fevereiro de 2022.
Dependência do Mar Negro
A Ucrânia está entre os maiores produtores mundiais de trigo, milho e sementes de girassol.
A busca por corredores terrestres pretende permitir que os grãos atravessem países vizinhos até mercados de destino. A condição indicada pelo premiê húngaro é que as cargas não permaneçam na Hungria, mas sigam viagem. Magyar e Zelenski conversaram na sexta-feira (16) sobre a redefinição das relações entre os dois países.
Magyar adotou uma postura menos confrontativa em relação a Kiev do que seu antecessor, Viktor Orbán, mas afirmou repetidamente que a Hungria não enviará armas à Ucrânia. Ele também cobrou avanços nos direitos da minoria étnica húngara no país vizinho. Ao comentar a guerra, declarou solidariedade a Zelenski diante da agressão russa.
Safra europeia de milho
A Comissão Europeia estimou, no fim de agosto, que a safra de milho da União Europeia chegaria a 50,1 milhões de toneladas métricas naquele ano. A projeção apontava o menor volume em quase duas décadas e cerca de 20% abaixo da média dos três anos anteriores.
França e Hungria estavam entre os países cujos agricultores foram particularmente afetados por calor e seca recordes, que prejudicaram as plantações. O cenário de oferta europeia reduzida coincide com a tentativa ucraniana de manter o escoamento de milho apesar das dificuldades nas rotas marítimas.