Márcio Canella é preso em operação da PF sobre lavagem em postos
O deputado estadual eleito é um dos seis alvos de prisão preventiva na oitava fase da Operação Unha e Carne, que apura movimentação superior a R$ 7,6 bilhões.
Em resumo
- Márcio Canella foi preso na oitava fase da Operação Unha e Carne.
- A investigação apura movimentação superior a R$ 7,6 bilhões em seis anos.
- A Justiça determinou medidas contra 112 empresas, incluindo 96 postos.
A investigação apura uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro por meio de postos de combustíveis. Segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o grupo teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.
Mandados e empresas investigadas
Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão. As diligências ocorreram no município do Rio de Janeiro e em Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo. Entre os presos está também Marcus Amim, ex-secretário da Polícia Civil. Outros quatro policiais civis foram alvo de prisão na operação.
A Justiça determinou ainda o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas suspeitas de ligação com o esquema. Desse total, 96 são postos de combustíveis. A investigação considera que estabelecimentos do setor poderiam ser usados para ocultar recursos e dar aparência legal a valores de origem criminosa.
Crimes investigados
As apurações também podem identificar outros crimes, segundo as informações divulgadas sobre a operação.
A ação contou com apoio da Corregedoria da Polícia Civil, que acompanhou o cumprimento das ordens judiciais contra os policiais investigados. Em manifestação sobre a operação, a Polícia Civil afirmou que participou em apoio à PF e que adota medidas administrativas e disciplinares diante de indícios de irregularidades, além de atuar com outros órgãos na apuração dos fatos.
Oitava fase da operação
A fase desta quinta-feira integra a Operação Unha e Carne. Canella já havia sido preso em julho, durante a sexta fase, quando policiais federais cumpriam um mandado de busca e apreensão contra ele e encontraram um fuzil em seu veículo. Na ocasião, a prisão ocorreu em flagrante; posteriormente, uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, revogou a prisão preventiva.
A investigação atual tem como foco a suspeita de uso de uma rede de postos na Região Metropolitana do Rio para movimentar e ocultar recursos. As medidas judiciais atingiram os investigados e as empresas apontadas como vinculadas à estrutura apurada.