PF faz buscas em imóveis de luxo ligados a esquema no Rio
Oitava fase da Operação Unha e Carne apura suspeita de proteção policial e lavagem de dinheiro por meio de postos de combustíveis.
Em resumo
- PF fez buscas em imóveis de luxo em quatro localidades fluminenses.
- Investigação apura proteção policial e vazamento de dados sigilosos.
- Coaf apontou movimentação superior a R$ 7,6 bilhões entre 2020 e 2026.
A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em imóveis de alto padrão em Icaraí, Camboinhas, Itaipava e Angra dos Reis nesta quinta-feira (15), na oitava fase da Operação Unha e Carne. A investigação apura uma suposta estrutura de proteção policial e vazamento de informações para favorecer uma organização suspeita de lavar dinheiro por meio de postos de combustíveis no Rio de Janeiro.
Entre as propriedades vistoriadas há coberturas e casas com áreas de lazer, incluindo piscina, adega, academia particular e quadra de areia. A PF também cumpriu buscas em outros municípios fluminenses. Ao todo, foram expedidos 16 mandados de busca em sete cidades: Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo.
A operação prendeu seis investigados, entre eles o deputado estadual eleito e ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil) e o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil.
Suspeita de proteção e vazamento
Segundo a PF, integrantes do grupo teriam usado cargos estratégicos na segurança pública para proteger as atividades investigadas de apurações e fiscalizações. Canella é apontado pelos investigadores como articulador político e teria atuado para viabilizar a indicação de Amim a cargos na administração estadual. A investigação também atribui a Amim possível proteção institucional ao esquema.
A PF apura ainda se informações sigilosas sobre operações policiais foram repassadas ao grupo. O escrivão Fabio Henrique Ferreira dos Santos, lotado na Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários, é suspeito de compartilhar esses dados, segundo a investigação. Também há suspeitas de que funcionários ligados ao Procon-RJ antecipassem cronogramas de fiscalização.
De acordo com relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o grupo movimentou mais de R$ 7,6 bilhões entre 2020 e 2026. A PF afirma que a rede investigada usava 96 postos de combustíveis no Grande Rio e na Região dos Lagos.
Canella afirmou confiar na Justiça e que acredita que os fatos serão esclarecidos.
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Linha do tempo
- Márcio Canella é preso em operação da PF sobre lavagem em postos
- PF aponta Canella como articulador e detalha repasses
- PF faz buscas em imóveis de luxo ligados a esquema no Rio (esta matéria)