PF aponta Canella como articulador e detalha repasses
Investigação atribui ao deputado eleito créditos de R$ 2,59 milhões e mais de R$ 139 mil em espécie; delegado Marcus Amim também é citado.
Em resumo
- A PF atribui a Canella articulação política no grupo investigado.
- Investigadores citam créditos e pagamentos em espécie ligados ao deputado eleito.
- Amim é suspeito de oferecer proteção institucional ao esquema.
A Polícia Federal atribui ao deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil-RJ) papel de articulação política em um esquema investigado por lavagem de dinheiro por meio de postos de combustíveis no Rio de Janeiro. Entre os elementos detalhados na nova fase da Operação Unha e Carne estão créditos de cerca de R$ 2,59 milhões ligados a uma empresa e mais de R$ 139 mil recebidos em espécie, valores cuja origem, segundo a investigação, não foi esclarecida. Canella e o delegado Marcus Amim estão entre os seis presos preventivamente na ação deflagrada em 15 de outubro de 2026.
O que a investigação atribui a Canella
A investigação também afirma que ele teria participado da indicação de Marcus Amim para a presidência do Detran-RJ e, depois, para a Secretaria de Polícia Civil.
A apuração não teria esclarecido a origem dos valores. A PF também o descreve como beneficiário de recursos distribuídos pelo grupo e considera que sua atuação ajudaria a preservar os interesses e a influência da organização.
Suspeitas envolvendo Marcus Amim
Segundo os investigadores, ele teria usado cargos de direção no Detran-RJ e na Polícia Civil para oferecer proteção administrativa e policial às atividades investigadas.
A PF aponta ainda que Amim seria sócio oculto do posto Gasmix Alcântara, ao lado dos irmãos Christiano e Giovanni Gaspar Fernandes. Outra suspeita envolve a Mamim Consultoria, empresa ligada ao delegado, que recebeu R$ 1,821 milhão da ADM Oil por um contrato de consultoria considerado fictício pelos investigadores. A apuração também cita mensagens trocadas entre Amim e Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo, e manuscritos apreendidos em fase anterior da operação que mencionariam o nome do delegado entre destinatários de valores relacionados a postos.
Medidas e manifestações
A operação cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão em sete municípios fluminenses. Um relatório do Coaf apontou movimentação superior a R$ 7,6 bilhões pelo grupo entre 2020 e 2026.
As defesas de Canella e Amim informaram que não se manifestariam antes de ter acesso aos autos.
Temas
Linha do tempo
- Márcio Canella é preso em operação da PF sobre lavagem em postos
- PF aponta Canella como articulador e detalha repasses (esta matéria)