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17 de outubro de 2026

Saúde

Porto Alegre apreende mais de 90 mil óculos falsificados

Balanço da prefeitura abrange 18 meses; venda irregular se concentra na região central e pode atrasar o diagnóstico de doenças oculares.

Porto Alegre em imagem de arquivo
Imagem de arquivo.
Publicado em 2 min de leitura

Em resumo

  • Mais de 90 mil óculos falsificados foram apreendidos em 18 meses.
  • A fiscalização municipal atua diariamente na região central de Porto Alegre.
  • Profissionais alertam que lentes inadequadas podem atrasar o diagnóstico de doenças.

Mais de 90 mil óculos falsificados foram apreendidos em Porto Alegre ao longo de 18 meses, segundo balanço da prefeitura. A venda irregular ocorre principalmente na região central e preocupa autoridades e profissionais de saúde porque os produtos são comercializados sem receita, medidas individualizadas ou garantia de procedência. O município prevê multa e apreensão imediata dos itens.

Fiscalização no centro

A fiscalização municipal passa diariamente pela região central, onde vendedores oferecem os óculos nas calçadas. Em uma situação registrada durante a fiscalização, um vendedor tentou encaixar uma lente em uma armação raspando o material no chão. De acordo com a prefeitura, os produtos apreendidos são destruídos e recebem destinação considerada adequada pelo município.

Moradores podem comunicar a venda irregular à prefeitura pelo telefone 156. A facilidade de compra, a variedade de produtos e os preços baixos atraem consumidores que experimentam modelos até encontrar um que pareça melhorar a visão. Essa impressão, porém, não identifica necessariamente a causa da dificuldade para enxergar.

Roberto Tenedini, diretor-executivo do Sindióptica-RS, afirmou que problemas de visão nem sempre são resolvidos com o uso de óculos. Segundo ele, a compra sem avaliação pode criar a impressão de que a situação está resolvida e fazer com que a pessoa deixe de investigar possíveis causas relacionadas a doenças, como diabetes e pressão alta.

Riscos para a visão

O presidente da Sociedade de Oftalmologia do Rio Grande do Sul, Guilherme Diehl, explicou que a adaptação das lentes depende de medidas individuais, como a centralização, a posição do centro óptico e a distância naso-pupilar. Sem esses parâmetros, segundo ele, não há como saber se as lentes estão adequadas ao usuário. O uso pode provocar distorções na imagem, cansaço visual e desconforto.

Diehl apontou como risco principal o adiamento de uma consulta oftalmológica quando a pessoa sente uma melhora inicial. Uma avaliação completa pode incluir análise da visão, medição da pressão ocular e exame do fundo do olho. Sem esse atendimento, doenças potencialmente graves para a visão podem não ser identificadas a tempo, afirmou.

O Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade classifica o setor de óculos como o quinto mais afetado pela pirataria e pela ilegalidade no Brasil. Em Porto Alegre, a prefeitura informa que a fiscalização ocorre diariamente e mantém o telefone 156 para denúncias de comércio irregular.

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