Porto Alegre apreende mais de 90 mil óculos falsificados
Balanço da prefeitura abrange 18 meses; venda irregular se concentra na região central e pode atrasar o diagnóstico de doenças oculares.
Em resumo
- Mais de 90 mil óculos falsificados foram apreendidos em 18 meses.
- A fiscalização municipal atua diariamente na região central de Porto Alegre.
- Profissionais alertam que lentes inadequadas podem atrasar o diagnóstico de doenças.
Mais de 90 mil óculos falsificados foram apreendidos em Porto Alegre ao longo de 18 meses, segundo balanço da prefeitura. A venda irregular ocorre principalmente na região central e preocupa autoridades e profissionais de saúde porque os produtos são comercializados sem receita, medidas individualizadas ou garantia de procedência. O município prevê multa e apreensão imediata dos itens.
Fiscalização no centro
A fiscalização municipal passa diariamente pela região central, onde vendedores oferecem os óculos nas calçadas. Em uma situação registrada durante a fiscalização, um vendedor tentou encaixar uma lente em uma armação raspando o material no chão. De acordo com a prefeitura, os produtos apreendidos são destruídos e recebem destinação considerada adequada pelo município.
Moradores podem comunicar a venda irregular à prefeitura pelo telefone 156. A facilidade de compra, a variedade de produtos e os preços baixos atraem consumidores que experimentam modelos até encontrar um que pareça melhorar a visão. Essa impressão, porém, não identifica necessariamente a causa da dificuldade para enxergar.
Roberto Tenedini, diretor-executivo do Sindióptica-RS, afirmou que problemas de visão nem sempre são resolvidos com o uso de óculos. Segundo ele, a compra sem avaliação pode criar a impressão de que a situação está resolvida e fazer com que a pessoa deixe de investigar possíveis causas relacionadas a doenças, como diabetes e pressão alta.
Riscos para a visão
O presidente da Sociedade de Oftalmologia do Rio Grande do Sul, Guilherme Diehl, explicou que a adaptação das lentes depende de medidas individuais, como a centralização, a posição do centro óptico e a distância naso-pupilar. Sem esses parâmetros, segundo ele, não há como saber se as lentes estão adequadas ao usuário. O uso pode provocar distorções na imagem, cansaço visual e desconforto.
Diehl apontou como risco principal o adiamento de uma consulta oftalmológica quando a pessoa sente uma melhora inicial. Uma avaliação completa pode incluir análise da visão, medição da pressão ocular e exame do fundo do olho. Sem esse atendimento, doenças potencialmente graves para a visão podem não ser identificadas a tempo, afirmou.
O Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade classifica o setor de óculos como o quinto mais afetado pela pirataria e pela ilegalidade no Brasil. Em Porto Alegre, a prefeitura informa que a fiscalização ocorre diariamente e mantém o telefone 156 para denúncias de comércio irregular.