Ebola no Quênia: homem passou por triagens sem ser detectado
Paciente chegou a Nairóbi em 3 de outubro, após cruzar a República Democrática do Congo e Uganda; exames confirmaram o vírus Bundibugyo.
Em resumo
- Homem infectado viajou da RDC a Nairóbi passando por Uganda.
- Triagens nos aeroportos não o identificaram como suspeito de Ebola.
- O paciente morreu após confirmação do vírus Bundibugyo.
Um homem infectado pelo vírus Bundibugyo, uma variante do Ebola, chegou a Nairóbi em 3 de outubro depois de viajar do leste da República Democrática do Congo (RDC), passar por Uganda e ser submetido a triagens de saúde sem ser identificado como suspeito. Ele foi levado a um hospital da capital queniana, onde acabou isolado; exames confirmaram a infecção, e o paciente morreu dias depois, segundo informações do Ministério da Saúde do Quênia e da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Trajeto entre três países
O homem vivia na RDC havia sete anos e estava doente havia semanas. No dia seguinte, embarcou em um voo para Nairóbi, de acordo com o Ministério da Saúde queniano e a OMS.
O relato do ministério queniano não o identificou como caso suspeito de Ebola.
As autoridades não informaram que tipo de verificação foi feita na fronteira terrestre entre a RDC e Uganda. A OMS também disse que não está claro em que momento da viagem o homem começou a apresentar sintomas. Segundo a agência, a duração de cerca de um mês da doença sugere que ele pode ter inicialmente enfrentado outro problema de saúde e contraído Ebola depois, enquanto buscava atendimento.
Limites da triagem
Após chegar ao aeroporto de Nairóbi, o paciente foi levado por um parente e um amigo ao Nairobi Hospital. Segundo o Ministério da Saúde do Quênia, ele apresentava febre, calafrios, fadiga intensa, dores musculares e sangramento sob a pele. Os médicos o isolaram, e os exames confirmaram a presença do vírus. As autoridades passaram a tentar identificar pessoas que possam ter tido contato com ele.
Oyewale Tomori, ex-virologista regional da OMS para a África, afirmou que o caso é um alerta sobre o risco de novas infecções cruzarem fronteiras enquanto a transmissão permanecer elevada na RDC. A OMS considera alto o risco para países que compartilham fronteiras terrestres com o país.