TSE não encontra conteúdo falso em canal “Exército do Lula”
Relatório analisou publicações de 2 a 11 de outubro, mas apontou mobilização coordenada, linguagem polarizadora e limites na avaliação.
Em resumo
- O TSE não encontrou as afirmações contestadas nas mensagens examinadas de 2 a 11 de outubro.
- O relatório apontou mobilização coordenada, linguagem polarizadora e dificuldades causadas por mensagens apagadas ou editadas.
- Publicações de setembro e a transcrição integral de vídeos e áudios não foram incluídas na análise.
A área técnica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não identificou, nas publicações examinadas entre 2 e 11 de outubro, as afirmações falsas atribuídas ao canal de WhatsApp “Exército do Lula”. O relatório, solicitado pelo presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, também apontou riscos relacionados à mobilização coordenada, à linguagem polarizadora e à dificuldade de reconstituir o histórico das mensagens.
O que foi analisado
A Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação avaliou textos e vídeos publicados no canal, administrado pelo deputado federal André Janones. Segundo o relatório, no período analisado não foram encontradas reproduções das afirmações discutidas no processo. A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) havia alegado que o canal divulgava informações falsas sobre o candidato, incluindo declarações a respeito do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida, de aposentadorias, do Benefício de Prestação Continuada e do reajuste do Bolsa Família.
A conclusão técnica se limita ao conteúdo disponível e ao intervalo examinado. Publicações de setembro citadas no processo não foram avaliadas, pois algumas tinham sido apagadas.
Ressalvas sobre o canal
Apesar de não localizar as afirmações contestadas nas mensagens examinadas, a equipe técnica identificou sinais de atuação coordenada para disseminar conteúdo. O documento também aponta que a exclusão e a edição de mensagens dificultam a reconstituição do histórico do canal. Sobre o teor das publicações, registra o uso recorrente de linguagem polarizadora, que poderia estabelecer uma lógica de confronto incompatível com a ideia de eleições como alternativa ao conflito.
A área técnica também alertou para o risco de disseminação em massa de mensagens às vésperas do segundo turno. Em uma publicação de 8 de outubro, às 1h10, o canal afirmou que não divulgaria “uma única fake news até o final da campanha”, conforme o relatório.
Decisões sobre o canal
O parecer foi produzido após decisões conflitantes sobre a permanência do canal. No domingo, 11 de outubro, Nunes Marques determinou a suspensão a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro. Horas depois, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, reverteu a medida e determinou a reativação.
O documento técnico deve subsidiar novas decisões do TSE sobre o caso.
Temas
Linha do tempo
- TSE manda suspender canal “Exército do Lula” no WhatsApp
- TSE restabelece canal “Exército do Lula” e leva caso ao plenário
- TSE fará análise urgente sobre canal “Exército do Lula”
- Lula diz que presidente do TSE não pode ter lado político
- TSE não encontra conteúdo falso em canal “Exército do Lula” (esta matéria)