Cuba e Venezuela: aliança enfraquece após captura de Maduro
Ausência de Cuba em discurso de Delcy Rodríguez na ONU e declaração de autoridade cubana indicam mudanças na relação entre os países.
Em resumo
- Delcy Rodríguez não mencionou Cuba em seu discurso recente na ONU.
- Autoridade cubana descreveu a Venezuela como país amigo, não aliada.
- Os EUA controlam a venda de petróleo venezuelano e mantêm suspenso o fornecimento a Cuba.
Um sinal da mudança foi a ausência de referências a Cuba no recente discurso da presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, na Assembleia Geral da ONU — a primeira vez em 20 anos que um representante da Venezuela não mencionou a ilha nesse debate.
De parceria a relação entre países amigos
A aproximação entre os governos ganhou força durante a presidência de Hugo Chávez, a partir de 1999. Chávez definiu a relação como uma aliança estratégica e uma irmandade. O acordo incluía o fornecimento de petróleo venezuelano à ilha em condições preferenciais; em contrapartida, Cuba enviava profissionais para atuar em áreas como saúde, educação, cultura e esporte.
Milhares de médicos cubanos participaram do programa Barrio Adentro, voltado ao atendimento básico em comunidades carentes da Venezuela. Além da cooperação na área de saúde, o professor de relações internacionais Frank Mora, da Universidade Internacional da Flórida, afirmou que a presença cubana em atividades de contrainteligência foi um aspecto central da parceria.
Petróleo e sinais diplomáticos
Em discurso na Assembleia Nacional, menos de duas semanas depois da captura, Rodríguez defendeu que a Venezuela tinha o direito de manter relações diplomáticas com países como Cuba, China, Rússia, Irã e Estados Unidos.
Quase nove meses depois, porém, Carlos Fernández de Cossío, vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, descreveu a Venezuela como um país amigo e disse que “aliado” seria uma palavra forte demais.