Stellantis diz que modelo da BYD pode ameaçar empregos no Brasil
Herlander Zola afirmou que a produção com kits importados pode reduzir postos na indústria automotiva; estimativa chega a 90% na região.
Em resumo
- Herlander Zola estimou risco de até 90% dos empregos automotivos na região.
- O modelo depende de quais etapas da produção são feitas no Brasil.
- O governo renovou incentivo tributário para importar veículos eletrificados em kits.
O presidente da Stellantis para a América Latina, Herlander Zola, afirmou em São Paulo, em 7 de outubro, que o modelo de produção com veículos parcialmente montados no exterior pode ameaçar até 90% dos empregos automotivos na região.
Zola comparou esse cenário à estrutura atual da Stellantis na América do Sul. Se a empresa adotasse integralmente a pré-montagem no exterior e a finalização local, precisaria de apenas 10% dos cerca de 35 mil funcionários que mantém na região, segundo a estimativa apresentada pelo executivo. O percentual de até 90% citado por ele se refere aos empregos automotivos regionais, não a uma previsão específica de demissões na empresa.
Etapas feitas no Brasil
A produção com kits pode ocorrer em diferentes níveis. No sistema SKD, os veículos chegam parcialmente montados e a fábrica local conclui as etapas restantes. No CKD, os conjuntos chegam desmontados para serem montados no país. O volume de trabalho realizado em território nacional depende, portanto, do processo adotado por cada fabricante.
Mesmo quando há montagem final no Brasil, etapas como estamparia, soldagem da carroceria, pintura e fabricação de componentes podem continuar concentradas no exterior. Já a montagem de conjuntos semimontados ainda pode gerar postos em áreas como logística, controle de qualidade e finalização.
A BYD já produziu mais de 100 mil veículos com kits importados em sua fábrica de Camaçari, na Bahia, segundo informação citada na cobertura do tema.
Incentivo tributário e eletrificação
A discussão também envolve a tributação. Em junho, o governo brasileiro renovou por seis meses, a partir de julho, uma cota de US$ 463 milhões para importar veículos eletrificados desmontados ou semidesmontados com alíquota zero do Imposto de Importação. A medida favorece o modelo de produção usado pela BYD e por outras montadoras chinesas.
A diferença tributária entre carros importados prontos e kits destinados à montagem pode influenciar custos e decisões de investimento. Montadoras com operações industriais mais abrangentes apontam que essa diferença pode criar condições de concorrência distintas quando a importação não vem acompanhada de expansão equivalente das etapas produtivas no Brasil. O governo, por sua vez, apresenta os incentivos como parte de uma estratégia para atrair investimentos e estimular a eletrificação.