FMI alerta para choques de preços mais frequentes e inflação
Estudo aponta efeitos duradouros sobre expectativas de inflação e pobreza e compara custos de medidas para conter altas de alimentos e energia.
Em resumo
- O FMI prevê que choques de preços podem se tornar mais frequentes e prolongar a inflação elevada.
- Um modelo do fundo estima impacto maior da inflação sobre pobreza e famílias de baixa renda.
- Transferências direcionadas podem custar menos que controles de preços, cortes de impostos e subsídios.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) alerta que altas bruscas nos preços de alimentos e energia podem se tornar mais frequentes e manter as expectativas de inflação elevadas por anos. Uma pesquisa da instituição, divulgada nesta semana, analisou respostas de governos a crises de preços ao longo de três décadas e apresentou um modelo que considera o peso maior da inflação sobre famílias de baixa renda.
Efeitos sobre inflação e pobreza
Segundo o FMI, as expectativas de inflação de curto e médio prazo sobem bastante durante crises de custo de vida e permanecem acima dos níveis anteriores mesmo três anos depois. Esse comportamento pode levar bancos centrais a elevar os juros.
O modelo econômico apresentado pelo fundo identificou uma diferença de 0,8 ponto percentual em relação ao indicador tradicional de inflação.
O modelo leva em conta que famílias mais pobres destinam uma parcela maior da renda a produtos essenciais.
O fundo observa que aumentos bruscos em itens essenciais eram relativamente raros, sobretudo quando atingiam vários países ao mesmo tempo. Nos últimos cinco anos, porém, tornaram-se uma fonte recorrente de tensão econômica e social. Entre os episódios citados estão a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, e a guerra no Oriente Médio neste ano.
Custo das medidas de resposta
Para proteger famílias vulneráveis, o FMI aponta as transferências de renda direcionadas como a alternativa mais adequada, sem intervenção direta nos preços. Segundo a instituição, controles de preços e reduções de impostos sobre o consumo podem custar aos governos de três a seis vezes mais. Subsídios a produtores podem ter custo até 22 vezes maior.
O FMI também alerta que medidas amplas podem perder eficácia quando vários países oferecem subsídios ao mesmo tempo. Maggi considera os subsídios a produtores, comuns em países em desenvolvimento, especialmente ineficientes: eles podem baratear produtos destinados à exportação, fazendo com que contribuintes de um país ajudem a reduzir preços pagos por consumidores de outros.
No mês passado, o FMI projetou crescimento de cerca de 3% para a economia global em 2026 e afirmou que os riscos permanecem elevados.