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11 de outubro de 2026

Política

Lula e Flávio buscam mobilizar eleitores ausentes no 1º turno

Pesquisa aponta baixa disposição de faltosos para votar em 25 de outubro; candidatos apostam em agendas de rua e comunicação para ampliar o comparecimento.

Foto de arquivo de Lula
Imagem de arquivo.
Publicado em 2 min de leitura

Em resumo

  • 78% dos entrevistados que faltaram no primeiro turno dizem que provavelmente ou certamente não votarão.
  • Lula e Flávio participaram de carreatas em Natal e São Gonçalo no dia 10 de outubro.
  • A abstenção foi maior em Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Lula e Flávio Bolsonaro tentam mobilizar eleitores que não compareceram ao primeiro turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro. A tarefa é desafiadora: pesquisa Real Time Big Data divulgada em 8 de outubro indica que 78% dos entrevistados que se abstiveram dizem que certamente ou provavelmente não votarão no segundo turno.

O levantamento ouviu 1,6 mil pessoas entre 6 e 7 de outubro e tem margem de erro de três pontos percentuais. Quatro em cada dez entrevistados que faltaram às urnas afirmaram que certamente não irão votar; outros 38% disseram que provavelmente também não comparecerão. Apenas 22% consideram a possibilidade de votar, somando quem respondeu que talvez, provavelmente ou certamente irá.

Abstenção e estratégias de campanha

Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula. Para o presidente, reduzir a abstenção é uma frente para tentar reverter a vantagem do adversário. A campanha petista busca ampliar a comunicação, reforçar agendas de rua e mobilizar lideranças e apoiadores. Em 9 de outubro, o senador Camilo Santana, integrante da coordenação da campanha, afirmou que Lula priorizaria compromissos no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Minas Gerais, estados com taxas de abstenção acima da média.

No sábado, 10 de outubro, Lula participou de carreata em Natal, ao lado de Cadu de Lula, e criticou a proposta de corte de gastos de Flávio, dizendo que ela atingiria programas sociais. Flávio esteve em carreata em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, onde defendeu a redução da maioridade penal. Segundo a cientista política Denilde Holzhacker, da ESPM, atos de rua podem ajudar a engajar eleitores e reduzir a abstenção, além de demonstrar força da campanha.

A estratégia de Flávio também inclui preservar sua base e buscar novos votos. O senador tem enfatizado custo de vida, endividamento das famílias e segurança pública, enquanto aliados e apoiadores atuam em agendas regionais e nas redes sociais. Não há confirmação pública de uma operação da campanha dedicada exclusivamente aos eleitores ausentes.

Disputa por eleitores fora das campanhas

A abstenção não forma um grupo uniforme: inclui pessoas que tiveram dificuldades para votar, desmotivados e eleitores sem identificação com as candidaturas. Mayra Goulart, professora da UFRJ, avaliou que muitos indecisos têm pouco contato com a política e não acompanham informações. Holzhacker ponderou que carreatas podem demonstrar competitividade, mas que o efeito sobre esses eleitores não é possível de estimar. Para ela, a mensagem dos candidatos e dos grupos de apoio será decisiva.

Os maiores índices de abstenção no primeiro turno foram registrados em Mato Grosso do Sul (23,87%), Rio de Janeiro (23,32%), Minas Gerais (22,81%), São Paulo (22,54%), Mato Grosso (22,20%), Goiás (21,83%), Rondônia (21,71%), Espírito Santo (21,37%) e Rio Grande do Sul (21,35%).

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