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07 de outubro de 2026

Economia

Bolsa brasileira ganha recomendações, mas depende do ajuste fiscal

J.P. Morgan, Morgan Stanley e Citi ampliaram apostas no mercado após o 1º turno; projeções de fluxo chegam a R$ 945 bilhões em cenários do Morgan.

Publicado em 2 min de leitura

Em resumo

  • J.P. Morgan e Morgan Stanley elevaram recomendações para ações brasileiras.
  • Cenários do Morgan Stanley estimam até R$ 945 bilhões em fluxo doméstico potencial.
  • Bancos e gestores condicionam novas altas a avanços fiscais.

Bancos de investimento e gestores ampliaram recomendações e projeções para ações brasileiras após o primeiro turno das eleições, mas condicionam a continuidade da valorização a avanços na área fiscal. J.P. Morgan, Morgan Stanley e Citi revisaram suas posições, enquanto estimativas de fluxo indicam que centenas de bilhões de reais poderiam chegar à Bolsa caso investidores recomponham suas carteiras.

Bancos veem potencial, com ressalvas

O J.P. Morgan elevou a recomendação para ações brasileiras de “neutral” para “overweight”, sinalização de maior exposição aos ativos do país. A instituição avaliou que o resultado do primeiro turno reduziu a incerteza política e melhorou o perfil de risco e retorno do mercado brasileiro em relação a outros países da América Latina. Em agosto, o banco havia rebaixado sua recomendação.

O Morgan Stanley também passou a recomendar a compra de ações brasileiras e projetou valorização de 15% a 20% do Ibovespa até o fim de 2026 caso haja mudança na política fiscal. O Citi aumentou sua posição em ações do país. Para os estrategistas da instituição, a agenda de austeridade fiscal, privatizações e desregulamentação defendida por Flávio Bolsonaro poderia favorecer o mercado; eles também apontaram o avanço de seu partido no Senado como possível apoio legislativo.

A diretora de macroeconomia para o Brasil do UBS Global Wealth Management, Solange Srour, afirmou que a redução do prêmio de risco fiscal ajudou a explicar a reação dos ativos.

Estimativas de entrada de recursos

O Morgan Stanley calculou diferentes cenários para a volta de investidores locais à renda variável. Fundos de ações representam 6% do patrimônio da indústria, segundo a análise. Se essa participação subir para 8%, o fluxo potencial seria de R$ 176 bilhões; para 12%, de R$ 615 bilhões; e, se retornar a 15%, de R$ 945 bilhões. O banco ressalvou que a recomposição depende, entre outros fatores, de uma consolidação fiscal e da redução da vantagem da renda fixa.

O Itaú BBA estimou R$ 270,2 bilhões em entradas potenciais caso investidores estrangeiros e brasileiros retornem às médias históricas de exposição à Bolsa. As estimativas dos bancos usam premissas diferentes e representam cenários, não previsões de um fluxo garantido.

Entre gestores, Luciano França, da Paramis Avantgarde, considera possível que o Ibovespa chegue a 250 mil pontos até o fim de 2027 se houver trajetória da dívida mais coerente, juros estáveis e maior previsibilidade. Sem ajustes fiscais, alertou, o avanço pode não se sustentar.

Temas

Linha do tempo

  1. Ibovespa chega a 209 mil pontos e dólar cai abaixo de R$ 5
  2. Ibovespa sobe 7,7% após 1º turno e fecha em recorde histórico
  3. Dólar cai abaixo de R$ 4,95 e juros futuros recuam após 1º turno
  4. Dólar fecha a R$ 4,975, menor cotação desde maio
  5. Bolsa brasileira ganha recomendações, mas depende do ajuste fiscal (esta matéria)

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