Ibovespa sobe 7,7% após 1º turno e fecha em recorde histórico
Índice encerrou o pregão de 5 de outubro de 2026 aos 206.911,89 pontos; foi a maior alta após um primeiro turno entre as eleições analisadas.
Em resumo
- Ibovespa avançou 7,70% e fechou aos 206.911,89 pontos.
- Foi a maior alta após primeiro turno entre as eleições analisadas.
- Analistas relacionaram o movimento a expectativas fiscais, mas destacaram incertezas.
O Ibovespa avançou 7,70% no pregão de 5 de outubro, o primeiro após o turno inicial da eleição presidencial, e fechou aos 206.911,89 pontos. Foi a primeira vez que o índice terminou uma sessão acima dos 200 mil pontos e a maior alta registrada depois de um primeiro turno nas eleições analisadas, segundo levantamento da Elos Ayta.
A alta ocorreu após Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 47,03% dos votos válidos contra 45,16%. A diferença foi de cerca de 2,2 milhões de votos. Durante a sessão, o Ibovespa chegou à máxima de 209.605 pontos, antes de reduzir parte do avanço até o fechamento.
Maior avanço da série após primeiro turno
O levantamento da Elos Ayta aponta que o recorde anterior de valorização após o primeiro turno havia sido em 2022, quando o índice subiu 5,54%. O resultado de 2026 superou essa marca em 2,16 pontos percentuais.
Nas sete eleições consideradas, a Bolsa fechou em alta depois do primeiro turno em seis ocasiões. Além de 2026 e 2022, os maiores avanços foram registrados em 2014, com 4,72%, e em 2018, com 4,57%. Em 2002, o índice recuou 4,28%, a primeira queda da série após a votação inicial.
A Elos Ayta ressalva que a valorização de um único pregão não pode ser atribuída exclusivamente ao resultado eleitoral. O movimento também reflete expectativas formadas antes da votação, condições econômicas e fatores internacionais, e não define o comportamento da Bolsa ao longo do restante do período eleitoral.
Expectativas para política econômica
Analistas associaram a reação positiva à possibilidade de uma política fiscal mais rigorosa em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. Gustavo Budziak, CFO da Quartzo Capital, afirmou que a expectativa dependerá também da equipe econômica escolhida e do que ela conseguiria executar.
Thomas Haugaard, gerente de portfólio da Janus Henderson Investors, avaliou que o resultado aumentou a probabilidade percebida de consolidação fiscal, reformas econômicas e maior alinhamento com os Estados Unidos. Ele ponderou, porém, que as campanhas ainda não apresentaram clareza suficiente sobre o ritmo, a composição e a viabilidade política de um ajuste fiscal.
A composição do Congresso também entrou na avaliação dos analistas. O PL passou a ser a maior sigla individual no Senado e deve formar o maior bloco na Câmara. Partidos de direita e centro-direita também fortaleceram sua posição legislativa. Haugaard observou que esse cenário pode favorecer a formação de coalizões, mas que a fragmentação do Congresso segue como uma restrição.
O dólar comercial fechou o mesmo pregão cotado a R$ 5,001, com queda de 4,13%. Para Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, uma redução mais forte da Selic dependeria de sinais fiscais após o segundo turno. Ele projetou taxa próxima de 11,5% ao fim de 2027, abaixo da mediana de 12% registrada antes da votação.
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