Ações da Bayer sobem após júri rejeitar acusações sobre Roundup
Papéis avançaram até 5,2% na Europa após veredicto no Missouri; empresa ainda responde a cerca de 65 mil processos nos Estados Unidos.
Em resumo
- Júri do Missouri rejeitou por unanimidade três acusações contra o Roundup.
- Ações da Bayer subiram até 5,2% nas negociações europeias.
- A empresa ainda enfrenta cerca de 65 mil processos nos EUA.
As ações da Bayer chegaram a subir 5,2% nas negociações europeias de sexta-feira, 30 de outubro, após um júri do Missouri rejeitar, na véspera, acusações contra o Roundup, herbicida à base de glifosato. A decisão foi unânime e envolveu alegações de três mulheres que relacionaram a exposição ao produto ao desenvolvimento de câncer. A empresa ainda enfrenta cerca de 65 mil processos relacionados ao herbicida nos Estados Unidos.
Veredicto no Missouri
Os jurados rejeitaram acusações de defeito na concepção do produto, fraude e negligência. A deliberação durou cerca de duas horas, segundo o banco Jefferies. Foi o primeiro julgamento sobre o Roundup desde que a Suprema Corte dos Estados Unidos limitou, em junho, uma das principais linhas de argumentação usadas em ações contra a fabricante.
Por 7 votos a 2, a Suprema Corte decidiu que a legislação federal impede ações estaduais baseadas na ausência de advertência sobre câncer no rótulo quando a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) não exige esse aviso. A decisão no caso Durnell restringiu processos fundamentados especificamente na falta da advertência, mas não encerrou ações baseadas em outros argumentos, como defeito do produto e negligência.
Analistas do Jefferies avaliaram que o resultado no Missouri pode indicar obstáculos para autores de processos que apresentem argumentos semelhantes, mas ponderaram que um único veredicto não permite prever decisões futuras. O J.P. Morgan também considerou que as alegações de defeito e negligência podem se tornar mais difíceis de sustentar nos tribunais.
Processos e provisões
A Bayer elevou em fevereiro suas provisões e seus passivos relacionados ao conjunto de litígios de € 7,8 bilhões para € 11,8 bilhões. Desse total, € 9,6 bilhões correspondiam aos processos envolvendo glifosato. O Roundup foi desenvolvido pela Monsanto, adquirida pelo grupo alemão em 2018.
A companhia também aguarda uma decisão judicial sobre uma proposta de acordo coletivo de até US$ 7,25 bilhões. O plano pretende resolver determinadas reivindicações atuais e futuras relacionadas ao Roundup e ainda depende de aprovação da Justiça americana.