Museu do Ipiranga usará tecnologia aplicada no Coliseu de Roma
Escaneamento a laser em 3D vai mapear a estrutura do edifício e apoiar ações preventivas de conservação em parceria com a USP.
Em resumo
- Escaneamento a laser vai mapear o Museu do Ipiranga em 3D.
- A técnica usada no Coliseu foi aplicada por pesquisadores da Universidade de Ferrara em parceria com a USP.
- Os dados devem apoiar um programa de conservação preventiva do edifício.
O Museu do Ipiranga, em São Paulo, vai usar uma tecnologia de escaneamento a laser em 3D aplicada na conservação do Coliseu de Roma para monitorar a estrutura do edifício e planejar sua manutenção. O trabalho, feito por pesquisadores da Universidade de Ferrara em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), busca identificar alterações que não são visíveis a olho nu e antecipar problemas.
A equipe italiana passou as últimas semanas realizando levantamentos dentro e fora do museu. Os scanners registram a posição de detalhes da construção e geram uma chamada “nuvem de pontos”, composta por coordenadas espaciais. Esses dados permitem identificar, por exemplo, desníveis, fissuras e deformações.
Modelo digital da construção
Com as informações coletadas, um programa de computador produz um modelo digital tridimensional, descrito pelos pesquisadores como um “gêmeo digital” do prédio. A representação detalhada permite observar características da estrutura que uma fotografia comum não mostraria, segundo a explicação apresentada pelo pesquisador Marcello Balzani, professor de Arquitetura da Universidade de Ferrara.
Balzani comparou o processo a exames de imagem, como raio-X e tomografia, e disse que a proposta é percorrer o espaço em busca de detalhes que não aparecem na superfície. A mesma tecnologia foi usada no Coliseu, em Roma, para auxiliar na conservação da construção, que tem quase dois mil anos.
Prevenção e manutenção
A professora Beatriz Kuhl, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, afirmou que o mapeamento pode ajudar a intervir antes que um problema se torne mais grave. As situações podem variar de questões simples, como uma lâmpada ou um interruptor, a danos na cobertura. Segundo ela, a manutenção constante pode evitar obras mais invasivas e reduzir custos no longo prazo.
O Museu do Ipiranga tem 131 anos e reabriu em 2022, depois de permanecer quase dez anos fechado. Antes da revitalização, também foi feito um escaneamento da construção. A proposta agora é reunir os dados disponíveis e usá-los para estruturar um programa de conservação.
Kuhl ressaltou que, apesar de o edifício ser bem construído, ele não se recupera sozinho. A professora afirmou que é necessário acompanhar possíveis alterações e os problemas que possam surgir. O monitoramento busca dar suporte a esse acompanhamento contínuo da estrutura histórica.