Corvos decidem duas vezes mais rápido que humanos, aponta estudo
Experimento da Universidade de Tübingen mediu respostas de gralhas-pretas a padrões de pontos em movimento.
Em resumo
- Duas gralhas-pretas levaram, em média, 235 milissegundos para indicar a direção do movimento.
- O estudo concluiu que corvos decidem cerca de duas vezes mais rápido que humanos e macacos.
- A atividade cerebral começou a processar as direções cerca de 70 milissegundos após o estímulo.
Corvos-pretos podem decidir cerca de duas vezes mais rápido que humanos e macacos, segundo estudo de pesquisadores da Universidade de Tübingen, na Alemanha. No experimento, duas aves levaram em média 235 milissegundos para identificar a direção predominante do movimento de pontos em uma tela e indicar a resposta. O trabalho foi publicado na revista Science na quinta-feira (22).
Como foi o teste
As aves observadas pertenciam à espécie Corvus corone, conhecida popularmente como gralha-preta. Diante de padrões de pontos exibidos em uma tela sensível ao toque, elas precisavam distinguir se o movimento ocorria principalmente para a esquerda ou para a direita. Para registrar a escolha, bicavam um alvo correspondente à direção que identificavam.
A média de 235 milissegundos foi registrada para as duas aves participantes. A conclusão apresentada pelos pesquisadores compara a velocidade de decisão dos corvos à de humanos e macacos. O experimento descrito avaliou as respostas das aves à tarefa de identificação de movimento.
Mesmo diante de padrões difíceis de reconhecer, as decisões dos corvos superaram o que seria esperado de escolhas aleatórias, afirmou Philipp Schmidbauer, um dos autores do estudo. Quando os sinais eram claros, a precisão das aves chegava a quase 100%, de acordo com o pesquisador.
Atividade cerebral das aves
Para investigar como a decisão era formada, a equipe registrou a atividade dos neurônios no nidopálio caudolateral, uma região associativa do cérebro das aves. Essa área é considerada comparável ao córtex pré-frontal humano.
Segundo os resultados, o processamento das diferentes direções começava nessa região cerca de 70 milissegundos depois da apresentação do estímulo. Em seguida, conforme a ave avançava para uma escolha, a atividade dos neurônios aumentava gradualmente até alcançar um limite.
O estudo, portanto, combinou a medição do tempo e da precisão das respostas com o registro da atividade cerebral durante a tarefa. Os pesquisadores observaram o desempenho em uma situação específica: interpretar pontos em movimento e escolher entre duas direções. Os resultados relatados dizem respeito às duas aves testadas e ao tipo de estímulo usado no experimento.