G20 termina reunião sem consenso e cancela foto oficial
Chanceleres encerraram dois dias de encontros em Atlanta em meio a divergências sobre Rússia, Ucrânia, Irã e tarifas dos Estados Unidos.
Em resumo
- Chanceleres do G20 terminaram o encontro sem consenso sobre segurança internacional.
- A foto oficial foi cancelada após divergências sobre a presença de Sergey Lavrov.
- A cúpula de líderes está prevista para dezembro, em Miami, na Flórida.
Os chanceleres do G20 encerraram no sábado, 31 de outubro de 2026, dois dias de reuniões em Atlanta, nos Estados Unidos, sem consenso sobre questões centrais de segurança internacional e sem a tradicional foto oficial. As divergências envolveram a guerra entre Rússia e Ucrânia, o conflito no Irã e tarifas comerciais americanas. O encontro preparou a cúpula de líderes do grupo, prevista para dezembro, em Miami, na Flórida.
Não houve comunicado conjunto. A presidência do G20 divulgou apenas uma declaração que, segundo o relato do encontro, não mencionou acordos alcançados. Em entrevista coletiva, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que não seria correto dizer que os países estavam perto de encontrar soluções aceitas por todos. Ele acrescentou que alguns governos trabalham juntos em temas como cadeias de suprimentos e minerais críticos.
Divergência sobre a presença de Lavrov
A fotografia oficial foi cancelada depois que representantes europeus ameaçaram boicotá-la por causa da presença do ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov. Representantes da União Europeia, do Reino Unido e da Austrália se recusaram a posar ao lado do chanceler russo. Eles argumentaram que a imagem poderia transmitir uma ideia de normalização das relações com Moscou enquanto a guerra na Ucrânia continua.
O chanceler alemão, Johann Wadephul, disse que não haveria foto dos representantes europeus ao lado de Lavrov porque as relações com Moscou não foram normalizadas. A ministra australiana Penny Wong condenou a invasão russa por meio de um porta-voz. O ministro britânico Ed Miliband afirmou que o Reino Unido evita esse tipo de aproximação há anos. Já o chanceler polonês, Radosław Sikorski, apontou a dificuldade de alcançar consensos entre países envolvidos em conflitos.
Segundo o secretário americano, não seria possível buscar uma solução pacífica para a guerra sem conversar com os dois lados. Sobre a possibilidade de uma paz negociada, ele disse não saber se ela é viável e afirmou não acreditar que alguém considere próximo um acordo.
Irã e ausências no encontro
A possibilidade de novos ataques americanos ao Irã também esteve em pauta. Autoridades dos Estados Unidos alertaram países do Oriente Médio sobre a possibilidade de uma ação militar após as eleições legislativas americanas de 3 de novembro e sobre uma eventual retaliação iraniana. A segurança da navegação pelo Estreito de Ormuz esteve entre as prioridades discutidas pelos chanceleres.
A África do Sul, integrante do G20, não foi convidada, em meio a divergências com Washington. Phindile Kunene, porta-voz do chanceler sul-africano Ronald Lamola, afirmou que a ausência do país não foi voluntária. A Ucrânia, que participou como observadora em reuniões anteriores, também não foi convidada desta vez. A cúpula de líderes está prevista para dezembro, sob a presidência de Donald Trump.