Deutsche Bank alerta para risco político à atração de investimentos na
Christian Sewing diz que o avanço da AfD e da esquerda pode afetar a imagem do país e pede continuidade das reformas econômicas.
Em resumo
- Sewing alertou que o avanço de partidos extremistas pode afastar investidores da Alemanha.
- A AfD avançou em eleições no leste alemão e A Esquerda ganhou espaço em Berlim.
- O executivo pediu continuidade das reformas econômicas do governo Merz.
O presidente-executivo do Deutsche Bank, Christian Sewing, alertou que o avanço de partidos políticos extremistas na Alemanha pode afastar investidores estrangeiros e prejudicar a atração de capital. Em entrevista, ele afirmou que os resultados eleitorais recentes podem ser interpretados como um retrato do ambiente político do país, mesmo quando envolvem governos locais, e pediu que o governo do chanceler Friedrich Merz mantenha as reformas econômicas.
Resultados eleitorais e percepção externa
As eleições estaduais realizadas no mês passado deram à AfD algumas de suas maiores vitórias no leste alemão. Na Saxônia-Anhalt, o partido ficou perto de alcançar maioria absoluta no Parlamento estadual. Duas semanas depois, terminou em primeiro lugar em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental.
A AfD defende restrições à imigração e o retorno de requerentes de asilo a seus países de origem. Serviços de segurança classificaram o partido como extremista em algumas regiões. Economistas também têm alertado que seu discurso pode dificultar a atração de trabalhadores qualificados e de investidores estrangeiros, necessários à economia alemã.
Sewing avaliou que investidores de fora podem não separar os resultados de eleições locais da situação nacional. “Isso representa um risco significativo para a Alemanha e não deve ser minimizado”, afirmou. Segundo o executivo, quem investe tende a enxergar o cenário como uma imagem da Alemanha inteira, sem distinguir de imediato um governo estadual do governo federal.
Disputa sobre o mercado imobiliário em Berlim
Além dos resultados da AfD, Sewing citou o avanço do partido A Esquerda em Berlim. A legenda obteve sua maior vitória em uma eleição para o governo municipal da cidade e propõe expropriar imóveis de empresas imobiliárias residenciais como resposta à alta dos custos de moradia.
O executivo afirmou que tanto o resultado da AfD na Saxônia-Anhalt quanto as propostas em Berlim são desfavoráveis ao crescimento econômico e aos investimentos.
Sewing pediu que o governo de Friedrich Merz dê continuidade às reformas para reanimar a economia. Na avaliação do presidente-executivo, fortalecer a atividade econômica é a resposta às correntes de extrema direita e extrema esquerda. A Alemanha é a maior economia da Europa, e o alerta do dirigente se concentra no possível impacto da percepção política sobre a entrada de capital estrangeiro.