Sarampo: nenhum estado alcança meta de vacinação em 2026
Cobertura nacional completa está abaixo de 80%, enquanto surtos em países vizinhos elevam o risco de novos casos e transmissão no Brasil.
Em resumo
- Nenhum estado atingiu a meta de 95% de vacinação infantil contra o sarampo.
- A cobertura nacional completa está abaixo de 80%.
- Surtos em países vizinhos aumentam o risco de casos importados e transmissão localizada.
Nenhum estado brasileiro havia atingido, até 22 de outubro de 2026, a meta de vacinar 95% das crianças menores de 2 anos com duas doses contra o sarampo. A cobertura nacional da imunização completa está abaixo de 80%, enquanto países vizinhos enfrentam surtos que aumentam o risco de entrada de casos e de transmissão em áreas com menos pessoas protegidas.
O Brasil recuperou, em novembro de 2024, o status de país livre da circulação endêmica da doença. Isso não impede a ocorrência de casos importados nem elimina a possibilidade de surtos localizados. O Ministério da Saúde concentra esforços de vigilância e vacinação com a tríplice viral — que também protege contra caxumba e rubéola — em municípios próximos à fronteira com o Peru, no oeste do Amazonas.
Diferenças entre estados
Até o momento, Paraná registrava cobertura de 86,76%, Ceará, de 86,69%, e Minas Gerais, de 86,05%. Os índices mais baixos eram os do Amapá, com 63,59%, Pará, com 67,02%, Maranhão, com 69,66%, e Rio de Janeiro, com 69,74%.
O diretor do Departamento Nacional de Imunizações, Eder Gatti, afirmou que o Peru tinha cerca de 3 mil casos e que a Bolívia também enfrentava uma situação de descontrole. No conjunto dos países vizinhos, os registros ultrapassavam 20 mil casos.
Em 2025, o Brasil notificou 39 casos de sarampo. Em 2026, já eram pouco mais de 50, segundo Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações. A maior parte dos casos deste ano ocorreu em São Paulo, especialmente na capital.
Risco de transmissão
Desde então, episódios importados ainda podem gerar cadeias limitadas de transmissão, sobretudo onde a cobertura vacinal é baixa. A circulação internacional de pessoas favorece a chegada de infectados ao país.
A primeira dose oferece proteção de 94% a 96%; com duas doses, a proteção supera 97%. O período indicado para completar as duas doses é até os 2 anos de idade.