PF pede mais 90 dias para investigar financiamento de Dark Horse
Pedido foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do STF; investigação apura a origem e o destino de recursos ligados à produção do filme.
Em resumo
- PF pediu ao STF mais 90 dias para concluir o inquérito sobre Dark Horse.
- Investigadores querem esclarecer a origem e o destino dos recursos da produção.
- A PF apontou divergências em depoimentos e documentos sobre as transferências.
A Polícia Federal pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), mais 90 dias para concluir a investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O pedido foi encaminhado após o prazo inicial do inquérito terminar, em 10 de outubro. Entre os investigados está o senador e candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro.
Diligências pendentes
A PF informou que ainda precisa esclarecer a origem e o destino dos recursos usados na produção.
A investigação examina suspeitas de evasão de divisas, lavagem de dinheiro, organização criminosa e corrupção ativa. Segundo a PF, Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, teria assumido o compromisso de investir aproximadamente R$ 134 milhões na produção. A polícia apura também a participação de Flávio Bolsonaro no financiamento.
Divergências sobre o destino dos valores
Em depoimento no início de outubro, Freixo Júnior afirmou ter feito sete remessas internacionais, totalizando US$ 12,3 milhões, a pedido de Fabiano Zettel e com a confirmação de Vorcaro. Segundo o colaborador, o dinheiro seria destinado a um investimento imobiliário nos Estados Unidos, e não ao filme. A PF apontou que uma carta-acordo entregue por ele prevê compromisso de investimento de US$ 24 milhões e menciona expressamente a produção cinematográfica. Para os investigadores, o documento contrasta com a afirmação de que ele desconhecia a destinação dos recursos.
Há diferença entre os valores reportados para as transferências: uma descrição dos documentos entregues ao STF aponta US$ 12 milhões enviados ao exterior e US$ 2,8 milhões que retornaram ao Brasil; outra registra sete remessas que somaram US$ 12,3 milhões. A PF também relatou divergências sobre a origem do dinheiro. Freixo Júnior mencionou recursos de uma conta garantida no Banco Master, venda de ativos ou caixa próprio. Documentos, porém, indicariam que o primeiro envio foi precedido por um depósito de R$ 12 milhões da Super Empreendimentos, em 12 de fevereiro de 2025, um dia antes da primeira remessa.