Daniel Vorcaro discutiu jornalistas e apoio para salvar o Master
Mensagens encontradas pela PF citam pressão sobre publicações, apoio político e a tentativa de viabilizar a venda do banco ao BRB.
Em resumo
- Mensagens atribuídas a Vorcaro tratam de apoio político para viabilizar a venda do Master ao BRB.
- O banqueiro perguntou à área de comunicação sobre jornalistas considerados confiáveis.
- Jornalistas e interlocutores citados apresentaram negativas e esclarecimentos sobre conversas específicas.
Mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, registram conversas sobre a atuação de jornalistas e articulações políticas para tentar evitar a quebra da instituição. Os diálogos, encontrados pela Polícia Federal no celular do banqueiro, incluem episódios entre março e agosto de 2025, período em que o Banco Master buscava viabilizar uma operação com o Banco de Brasília (BRB).
Apoio político e venda do banco
Em áudio enviado a Vorcaro em 30 de março de 2025, o advogado Walfrido Warde afirmou que a Globo estaria tentando enfraquecer o apoio político que o banqueiro teria no governo e no PT. A mensagem foi enviada dois dias depois de o BRB anunciar a compra de 58% do capital do Master, uma operação que dependia de aprovação do Banco Central.
Warde mencionou uma notícia sobre serviços de consultoria prestados por Guido Mantega a Vorcaro e sobre um encontro entre o banqueiro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Outros diálogos atribuídos ao advogado indicam que ele relatava contatos com Lula e integrantes do governo. Em mensagens, Vorcaro pediu que Warde avisasse o presidente de que eles “vamos para a guerra”; em um grupo chamado “Amigos”, Marco Aurélio Santana, conhecido como Marcola, teria confirmado o repasse do recado.
Em agosto de 2025, Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB, perguntou a Vorcaro se Lula apoiava a operação. O banqueiro teria sugerido que a questão fosse tratada por Edinho, sem expor o presidente. A tentativa de venda não impediu a liquidação do Banco Master pelo Banco Central três meses depois. O Palácio do Planalto negou que tenha ocorrido um segundo encontro entre Lula e Vorcaro, mencionado nas mensagens.
Conversas sobre jornalistas
Em 18 de julho de 2025, Vorcaro perguntou à então superintendente de comunicação do banco, Ana Lúcia Matos, quem seria o “repórter maldoso mais confiável”. Ela indicou Guilherme Amado, Léo Dias e Diego Escosteguy, chamando-os de “maldosos controlados”. As mensagens não esclarecem o motivo da consulta nem o que Vorcaro fez depois de receber os nomes.
Em outro episódio, Matos disse que Amado entrevistaria Paulo Henrique Costa e teria pedido sugestões de perguntas. Vorcaro aprovou uma lista enviada por ela. Amado negou ter solicitado sugestões a Matos e disse que repassou perguntas a Flávio Carneiro, dono do PlatôBR, após consulta sobre a entrevista.
As conversas também mostram Vorcaro pressionando Carneiro por causa de um vídeo sobre Ciro Nogueira e pedindo que o veículo atacasse Ricardo Cappelli. Carneiro disse que atendeu ao pedido sobre o vídeo por considerar que o conteúdo não seguia a linha editorial do veículo; o vídeo continuou no perfil de Amado. O jornalista negou ter recebido pedidos para publicar informações negativas sobre Cappelli. Carneiro afirmou que a conversa sobre o ex-interventor foi retirada de contexto e se baseava em informações consideradas incorretas.
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