Lula critica “promiscuidade” no STF e defende reforma do Judiciário
Após ficar atrás de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, presidente propôs discutir critérios de escolha e mandato para ministros da Corte.
Em resumo
- Lula criticou o desgaste do STF após o primeiro turno.
- Presidente defendeu debate sobre escolha e mandato de ministros.
- Crise envolvendo o Banco Master será tema da campanha até 25 de outubro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em 5 de outubro, durante reunião com aliados para discutir a campanha do segundo turno, que está “carregando nas costas” a “promiscuidade” que, segundo ele, se estabeleceu no Supremo Tribunal Federal (STF). Lula associou o desgaste da Corte ao resultado do primeiro turno, em que recebeu 45,16% dos votos válidos, ante 47,03% de Flávio Bolsonaro (PL). A nova votação está marcada para 25 de outubro.
Lula propõe debate sobre escolha de ministros
Na reunião de campanha, Lula defendeu que a sociedade discuta os critérios para a indicação de ministros do STF e a possibilidade de estabelecer mandatos para os integrantes do tribunal. A indicação é feita pelo presidente e enviada ao Senado. “Ninguém está acima da lei, nem os ministros da Suprema Corte”, afirmou.
O presidente também questionou se a escolha deve decorrer de interesse pessoal do chefe do Executivo ou de pressão do Congresso e do poder econômico. Segundo Lula, a discussão sobre a reforma do Judiciário deverá fazer parte da campanha. Ele disse que a crise no STF terá de ser abordada nos próximos 20 dias e afirmou que pretende participar dos debates presidenciais.
Crise envolve investigação sobre o Banco Master
A controvérsia no Supremo se intensificou após o ministro André Mendonça retirar, em 1º de setembro, o sigilo de um relatório da Polícia Federal que revelou mensagens entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes. Depois, Moraes usou relatórios de inteligência da PF para questionar a atuação de Mendonça nos casos relacionados ao banco e ao INSS. Uma sessão do STF em 15 de setembro terminou sem definição sobre a possível abertura de investigação contra Moraes.
Em meio aos desdobramentos, o presidente do STF, Edson Fachin, pediu ao diretor-geral da Polícia Federal um relatório completo sobre os fatos apurados, incluindo eventuais menções a integrantes da Corte. Fachin também estabeleceu regras para petições apresentadas por terceiros em processos em andamento.
Campanha mira eleitores ausentes
Lula disse que a equipe precisa avaliar o que não funcionou na primeira etapa e corrigir a estratégia. Também afirmou que a campanha deve trabalhar para mobilizar os mais de 33 milhões de eleitores que não votaram no primeiro turno. O presidente reconheceu ter ficado decepcionado com o resultado, mas declarou não ver razão para não vencer a disputa.
Desde a redemocratização, nenhum candidato que terminou em segundo lugar no primeiro turno conseguiu reverter o resultado no segundo, segundo o histórico eleitoral citado na cobertura da disputa. Lula, por sua vez, disse aos aliados que será necessário “fazer mais rápido e mais bem feito” na etapa final da campanha.