FMI alerta que riscos da inteligência artificial podem superar ganhos
Kristalina Georgieva defendeu salvaguardas e uma base ética durante reuniões do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial em Bangkok.
Em resumo
- Georgieva alertou que os riscos da IA podem superar os benefícios sem salvaguardas.
- O FMI apontou ameaças ao crescimento e à estabilidade financeira.
- Especialistas citaram riscos para empregos e para investimentos em centros de dados.
A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, afirmou em 16 de outubro que os riscos da inteligência artificial podem superar seus benefícios se não houver salvaguardas e uma base ética. Durante reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial em Bangkok, ela defendeu a combinação de autorregulamentação do setor com participação dos governos.
Na terça-feira, dia 13, o FMI havia alertado para riscos ao crescimento e à estabilidade financeira ligados a um possível fim do ciclo de investimentos em inteligência artificial, ao alto endividamento e a uma guerra prolongada no Oriente Médio.
Regras e condições para ampliar o acesso
Em um painel com a participação de Jack Clark, cofundador da Anthropic, Georgieva disse que a tecnologia já fortalece a economia global, mas pode gerar efeitos negativos se não produzir ganhos de produtividade tão rapidamente quanto o esperado. Ela resumiu o alerta afirmando que, sem medidas de segurança, “os riscos podem superar as oportunidades”.
A dirigente também apontou condições necessárias para que pessoas de diferentes países possam aproveitar a tecnologia: acesso à infraestrutura digital e à eletricidade, além de regulamentação adequada. Para Georgieva, a rapidez das mudanças torna prioritário estabelecer mecanismos de proteção.
A autorregulação das empresas pode contribuir, segundo ela, mas deve envolver a sociedade. Georgieva defendeu a participação dos países com grandes setores de inteligência artificial — entre eles Estados Unidos, China e Índia — e de nações integradas à cadeia de suprimentos da tecnologia.
Clark afirmou que sua empresa testa os sistemas regularmente, divulga informações sobre os testes e as compartilha. Ele também disse que padrões já começam a ser estabelecidos por políticas iniciais na União Europeia e compromissos voluntários nos Estados Unidos, mas avaliou que a regulação não deve depender apenas de iniciativas voluntárias. “Precisamos de padrões sensatos”, disse.
Riscos para empregos e investimentos
O presidente do Bundesbank, Joachim Nagel, afirmou que os investimentos necessários em equipamentos e programas de inteligência artificial podem ampliar desequilíbrios globais. Já o economista Dani Rodrik ponderou que ainda não é possível saber se os ganhos de produtividade esperados vão se concretizar.
Caso ocorram, esses ganhos podem vir acompanhados de perda de empregos e deslocamentos nos setores afetados, disse Rodrik. Se não se materializarem, os investimentos elevados em centros de dados podem provocar uma correção financeira custosa.
A subsecretária do Tesouro dos Estados Unidos, Erin Browne, defendeu que o FMI dê mais atenção às oportunidades de choques positivos para a economia. Ela disse que o governo americano passou a chamar a tecnologia de “superinteligência”. O ministro das Finanças da Alemanha, Lars Klingbeil, afirmou que continuará usando o termo inteligência artificial.