Tarifaço dos EUA pressiona empresas brasileiras e pode afetar empregos
Calçados estão entre os setores expostos; no curto prazo, economistas apontam efeitos na atividade e no emprego, antes de mudanças nas etiquetas.
Em resumo
- Tarifas dos EUA pressionam exportações brasileiras de calçados.
- Abicalçados prevê possível perda de mais de 5 mil empregos no setor.
- O impacto inicial no Brasil tende a aparecer nas empresas e no emprego.
As tarifas impostas pelos Estados Unidos já pressionam empresas brasileiras, especialmente no setor de calçados, e podem afetar empregos antes de chegar diretamente ao bolso do consumidor no Brasil. Dados divulgados em 10 de outubro indicam que as medidas alcançam, juntas, 23,1% das exportações brasileiras para o mercado americano. Segundo economistas e representantes empresariais, no curto prazo o principal impacto tende a aparecer na atividade das companhias e no emprego, não nos preços nas lojas brasileiras.
Calçados enfrentam queda nas vendas externas
Entre janeiro e agosto de 2026, o Brasil exportou 62,45 milhões de pares de calçados, que renderam US$ 541,45 milhões. Na comparação com o mesmo período de 2025, o volume recuou 7,5% e a receita, 16,8%. A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) informou que são os piores resultados para o período desde 2020.
Os Estados Unidos responderam por parte desse recuo. O Brasil enviou ao país 7,38 milhões de pares nos oito primeiros meses do ano, por US$ 120,5 milhões. O volume caiu 4,1% e a receita, 22,8%, ante igual período de 2025. Em agosto, o preço médio dos calçados exportados aos americanos diminuiu 35,4%, para US$ 17,20. A Abicalçados relaciona a queda, entre outros fatores, à redução das vendas de produtos de maior valor, especialmente os de couro.
A associação revisou sua estimativa para as exportações brasileiras de calçados em 2026: agora prevê retração de 7,1%, ante previsão anterior de 3,6%. De janeiro a agosto, as importações de calçados cresceram 9,6%, para 33 milhões de pares. China, Vietnã e Indonésia responderam por cerca de oito em cada dez pares importados.
Empresas reorganizam produção
Trata-se de uma projeção, não de demissões já registradas.
Para o consumidor brasileiro, os dados apresentados indicam primeiro pressão sobre empresas e postos de trabalho, sem apontar uma data para eventual repasse às etiquetas.