Confiança do consumidor nos EUA cai para 46,3
Índice preliminar da Universidade de Michigan recuou ante 48,1 em setembro; expectativas de inflação para o próximo ano subiram a 4,7%.
Em resumo
- Índice preliminar de confiança caiu de 48,1 para 46,3.
- Expectativa de inflação para os próximos 12 meses subiu a 4,7%.
- A maioria dos entrevistados vê como ruim o momento para grandes compras.
A confiança dos consumidores dos Estados Unidos na economia caiu para 46,3 em leitura preliminar da Universidade de Michigan divulgada na sexta-feira, ante 48,1 em setembro. Se o resultado for confirmado, será o segundo menor nível da série histórica, que reúne registros de 74 anos, e indicará pessimismo maior que em períodos como a Guerra do Vietnã, a crise do petróleo dos anos 1970 e a Grande Recessão.
Situação atual pesa no índice
A avaliação dos consumidores sobre a situação econômica presente recuou 12,2% em relação a setembro e chegou a 44,7, mínima histórica para essa medida. Segundo Joanne Hsu, diretora das Pesquisas de Consumidores da universidade, a piora entre entrevistados que se identificam como independentes superou os avanços observados entre democratas e republicanos.
Nos últimos meses, os preços da gasolina subiram, a inflação ganhou fôlego e as taxas de juros voltaram a aumentar.
Compras e eleições de meio de mandato
A percepção de que não é um bom momento para grandes compras também chamou atenção. Segundo James Knightley, economista-chefe internacional do ING, 73% dos entrevistados consideram desfavorável comprar eletrodomésticos; 78%, adquirir um veículo; e 87%, comprar uma casa. Knightley afirmou que esses itens são importantes para a atividade econômica e que o pessimismo pode afetar a disposição dos consumidores para gastar.
O economista também relacionou a confiança fraca às eleições de meio de mandato, que se aproximam. Para ele, o cenário pode ser desfavorável aos republicanos. A avaliação negativa convive com indicadores que mostram desempenho econômico mais sólido, uma divergência que Knightley associa à concentração dos gastos nas famílias de maior renda. Dados do Federal Reserve citados por ele indicam que os 20% mais ricos, com renda anual de US$ 155 mil ou mais, concentram mais de 70% da riqueza e respondem por 40% dos gastos.