Brasil colhe safra recorde de maçã e quase quadruplica exportações
Produção chegou a cerca de 1,6 milhão de toneladas em 2025/26; embarques externos somaram 48,6 mil toneladas em 2026.
Em resumo
- A safra 2025/26 chegou a cerca de 1,6 milhão de toneladas, um recorde nacional.
- As exportações subiram de 13 mil toneladas em 2025 para 48,6 mil em 2026.
- A ABPM atribuiu o volume abaixo da meta exportadora a obstáculos comerciais e logísticos.
O Brasil colheu aproximadamente 1,6 milhão de toneladas de maçã na safra 2025/26, a maior produção já registrada no país, segundo balanço da Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM). O volume quase dobrou em relação às duas temporadas anteriores, que somaram cerca de 850 mil toneladas, e superou o recorde precedente, de 1,3 milhão de toneladas, alcançado em 2017. As exportações também cresceram: passaram de 13 mil toneladas em 2025 para 48,6 mil toneladas em 2026.
A produção foi liderada por Santa Catarina, com aproximadamente 830 mil toneladas e 52% da área cultivada. O Rio Grande do Sul registrou cerca de 710 mil toneladas, em aproximadamente 44% da área plantada do país. O Paraná produziu cerca de 50 mil toneladas, correspondentes a 3% da área. São Paulo e Minas Gerais responderam pelo restante.
Exportações e destinos
As vendas externas de maçã somaram US$ 49,6 milhões em 2026. O Rio Grande do Sul embarcou 38,7 mil toneladas, Santa Catarina enviou 9,6 mil e o Paraná, 56 toneladas. A fruta brasileira chegou a mais de 25 países. A Índia foi o principal destino, com 18,1 mil toneladas, seguida pela Arábia Saudita, com 10,1 mil. Rússia, Portugal e Irlanda também estiveram entre os mercados compradores.
Apesar do aumento em relação ao ano anterior, o volume ficou abaixo da projeção da ABPM, que estimava exportações de 100 mil toneladas no ciclo. O diretor executivo da entidade, Moisés Lopes de Albuquerque, atribuiu a diferença a obstáculos comerciais e logísticos relacionados ao conflito no Oriente Médio. Segundo ele, as dificuldades limitaram vendas na região, aumentaram a oferta em outros mercados e afetaram a logística para diferentes destinos.
A ABPM afirmou que a maior produção ampliou a disponibilidade de maçãs no mercado brasileiro e contribuiu para reduzir os preços ao consumidor. Diante da capacidade produtiva, a entidade considera a expansão das exportações importante para abrir novas oportunidades comerciais e ajudar a equilibrar o mercado. Entre os destinos estratégicos que busca abrir estão México e Malásia.
Expectativa para o próximo ciclo
Para a safra 2026/27, a associação avalia que as condições observadas até agora são positivas, mas ressalta que o resultado dependerá das próximas etapas do ciclo produtivo. Albuquerque afirmou que o inverno teve condições favoráveis e que a florada foi abundante.