TSE manda Alfredo Gaspar apagar vídeo sobre Lula e propina
Ministro deu 24 horas para a remoção; o conteúdo foi excluído após decisão que apontou falta de provas para as acusações.
Em resumo
- TSE deu 24 horas para Alfredo Gaspar retirar o vídeo.
- A publicação foi excluída após a decisão do ministro Marco Aurélio Bellizze.
- PF e PGR negaram que Vorcaro tivesse prestado depoimento ou entregue documentos com o teor alegado.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que Alfredo Gaspar (PL), candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro, removesse um vídeo em que acusa Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de receber propina. A decisão do ministro Marco Aurélio Bellizze estabeleceu prazo de 24 horas e previu multa diária em caso de descumprimento. O vídeo, publicado no Instagram, já havia sido excluído após a ordem, segundo informações divulgadas no sábado, 10 de outubro de 2026.
Decisão do TSE
A determinação ocorreu após a campanha de Lula acionar o tribunal. Na avaliação de Bellizze, a publicação ultrapassou os limites da crítica política ao apresentar como comprovada a prática de crimes por um adversário, sem elementos probatórios mínimos. O ministro afirmou que o conteúdo associava o presidente a uma organização criminosa e a ilícitos graves, em vez de se limitar a questionamentos sobre sua atuação pública ou a pedidos de esclarecimento.
A ordem também alcançou a Meta, responsável pelo Instagram. A empresa foi intimada a remover a publicação caso Gaspar não cumprisse o prazo. O TSE determinou ainda que fossem preservados dados relativos ao alcance e ao impulsionamento do vídeo.
Acusações e manifestações oficiais
Na gravação, Gaspar afirmou que Lula teria recebido R$ 1 bilhão para autorizar o acesso de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, a fundos de pensão federais. O candidato também mencionou uma suposta liberação de R$ 30 milhões relacionada à produção de um documentário sobre Lula. As afirmações foram feitas no vídeo e não são apresentadas aqui como fatos comprovados. A publicação também citava Alexandre Padilha e o senador Jaques Wagner.
O conteúdo se apoiava em um relato atribuído a Vorcaro sobre o suposto pagamento. Antes da publicação, a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) negaram que ele tivesse prestado depoimento com esse teor ou entregue documentos que confirmassem as informações. A PF também declarou que não recebeu anexos ou dados com o conteúdo descrito. A PGR informou que a proposta de delação de Vorcaro havia sido rejeitada.
Bellizze considerou que a ausência de elementos de comprovação não autorizava apresentar as acusações como fatos diante do eleitorado. A decisão determinou a retirada do vídeo e estabeleceu a possibilidade de multa diária caso a ordem não fosse cumprida dentro do prazo fixado.