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15 de outubro de 2026

Política

Lula diz que não sabia que Bolsa Família ficou sem reajuste

Presidente chamou a falta de correção de inexplicável; benefício passou de R$ 600 para R$ 691 após anúncio em setembro.

Bolsa Família em imagem de arquivo
Imagem de arquivo.
Publicado em 2 min de leitura

Em resumo

  • Lula disse que desconhecia a falta de reajuste do Bolsa Família.
  • O piso mensal passou de R$ 600 para R$ 691 em outubro.
  • A proposta orçamentária de 2027 foi ajustada após o anúncio.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em entrevista à TV Globo nesta quinta-feira (15) que não sabia que o Bolsa Família estava havia quase quatro anos sem reajuste. Ele classificou a falta de correção como “inexplicável” e disse que determinou o aumento depois de questionar ministros sobre o benefício. O reajuste foi anunciado em 17 de setembro, 17 dias antes do primeiro turno das eleições, realizado em 4 de outubro.

Reajuste e valores

Lula afirmou que decidiu recompor os valores que deixaram de ser corrigidos. Segundo ele, o aumento não foi motivado por uma identificação posterior de espaço nas contas públicas: o presidente disse que tomou a decisão assim que soube que o programa não havia sido reajustado. “Fui perguntar por que não aumentaram”, declarou, ao explicar a determinação.

O piso mensal do Bolsa Família passou de R$ 600 para R$ 691, com pagamento do valor atualizado a partir de outubro. O benefício médio, que inclui os adicionais recebidos pelas famílias, subiu de R$ 675 para R$ 777. Lula afirmou que havia espaço fiscal para bancar a medida e disse que queria compensar os anos sem correção.

O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, estimou o custo do reajuste em R$ 5,8 bilhões em 2026, a partir da folha de outubro, e cerca de R$ 22 bilhões em 2027. Lula também mencionou a proposta orçamentária, que, segundo ele, prevê superávit primário de 0,1%. Na entrevista, comparou esse resultado ao déficit de 2,8% que afirmou ter herdado.

Orçamento e calendário eleitoral

Em 31 de agosto, o governo havia enviado ao Congresso uma proposta de Orçamento de 2027 sem previsão de recursos para corrigir o benefício. O texto precisou ser ajustado após o anúncio do aumento. Antes da mudança, a equipe econômica havia sinalizado que não haveria reajuste para 2027.

A correção anunciada em setembro foi a primeira do programa durante o atual mandato de Lula. O último aumento havia sido concedido em 2022, quando o valor passou de R$ 400 para R$ 600. Na ocasião, a medida foi feita a 100 dias do primeiro turno daquele ano. A oposição classificou o reajuste de 2026 como “eleitoreiro”.

Lula relatou que cobrou explicações dos ministros ao descobrir que o benefício não tinha sido atualizado e afirmou que determinou a recomposição para que a situação não se repetisse.

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