Ibovespa recua e dólar sobe com disputa presidencial mais apertada
Bolsa caiu 2,3% em três pregões, enquanto o dólar voltou à faixa de R$ 5,09; pesquisas indicam empate técnico no segundo turno.
Em resumo
- Ibovespa caiu 2,3% em três pregões até quinta-feira.
- Pesquisas apontam empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula.
- Dúvidas fiscais e propostas de campanha elevaram a cautela dos investidores.
O mercado brasileiro devolveu parte dos ganhos registrados após o primeiro turno das eleições, com a disputa presidencial mais acirrada do que investidores esperavam. Nos três pregões até quinta-feira (15), o Ibovespa acumulou queda de 2,3%, depois de subir 8,82% na semana anterior, e o dólar avançou mais de 2%, voltando à região de R$ 5,09. A cautela também se refletiu nos juros futuros, que recuperaram parte da queda observada após a votação.
Pesquisas mudam as apostas
Na pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira, Flávio apareceu com 47% das intenções de voto, ante 45% de Lula. Na semana anterior, os números eram 49% a 45%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, os dois permanecem tecnicamente empatados. A pesquisa Quaest citada nos levantamentos registrou 46% para Flávio e 44% para Lula, também dentro da margem de erro.
Luis Otávio de Souza Leal, economista-chefe da G5 Partners, descreveu o recuo como um ajuste após a reação inicial do mercado ao resultado do primeiro turno. Para ele, os investidores voltaram a considerar que a eleição continua aberta e que as próximas pesquisas e os acontecimentos da campanha podem alterar as expectativas.
Márcio Riauba, da StoneX Banco de Câmbio, avaliou que a nova rodada de pesquisas diminuiu a convicção que havia sustentado a valorização recente do real. Segundo ele, o câmbio deve continuar sensível aos levantamentos e à percepção sobre a previsibilidade fiscal de cada candidato.
Fiscal e medidas da campanha
A cautela também está relacionada às contas públicas. Entre os fatores que pesam nas avaliações estão propostas como tarifa zero no transporte urbano aos fins de semana, perdão de dívidas de microempreendedores individuais e mudanças na jornada de trabalho. A discussão sobre o fim da escala 6x1 ganhou força após a aprovação do projeto no Senado por 75 votos a 1; o texto aguardava promulgação, segundo as informações divulgadas.
Eduardo Velho, economista-chefe e sócio da Bravonte Capital, afirmou que parte do mercado considera uma eventual vitória de Flávio mais favorável a um ajuste fiscal e a reformas. Essa expectativa, porém, ainda não se apoia em propostas concretas de ajuste apresentadas pelo candidato e por seus porta-vozes econômicos, conforme apontado nas avaliações de mercado.
A aprovação sobre a escala de trabalho foi considerada uma vitória política do governo e pode influenciar a disputa por votos. A medida se soma a outras ações anunciadas pelo governo nas semanas finais da campanha, incluindo mudanças no Bolsa Família e iniciativas voltadas a MEIs.
Temas
Linha do tempo
- Flávio Bolsonaro tem 52% dos votos válidos contra 48% de Lula
- Flávio Bolsonaro aparece à frente em 9 de 10 pesquisas
- Ibovespa recua e dólar sobe com disputa presidencial mais apertada (esta matéria)