Dólar cai 4,43% na semana após 1º turno, maior recuo desde 1994
Moeda fechou a R$ 4,985 em 9 de outubro; Ibovespa avançou mais de 8% na semana e renovou recordes após o resultado eleitoral.
Em resumo
- Dólar caiu 4,43% na semana, maior recuo após primeiro turno desde 1994.
- Ibovespa subiu mais de 8% e renovou recordes no período.
- Analistas apontam que a continuidade da alta depende de medidas fiscais concretas.
O dólar acumulou queda de 4,43% na semana encerrada em 9 de outubro, o maior recuo semanal depois de um primeiro turno de eleição desde a criação do real, em 1994. No mesmo período, o Ibovespa subiu mais de 8% e renovou recordes, em meio à reavaliação dos investidores sobre o cenário político e as perspectivas para a política fiscal no próximo governo.
Na sexta-feira, a moeda norte-americana recuou 0,79% e fechou cotada a R$ 4,985. Desde o resultado do primeiro turno, no domingo, 4 de outubro, o dólar saiu da faixa de R$ 5,21 e chegou a R$ 4,98. No acumulado do ano, a queda era de 9,19%; em outubro, de 3,67%.
O Ibovespa terminou a sessão de sexta em alta de 1,38%, aos 209.066,90 pontos, maior fechamento de sua história. Durante o pregão, chegou a 209.713,45 pontos, também um recorde intradiário. Na semana, os ganhos de 7,7% na segunda-feira e de 1,38% na sexta-feira, somados às oscilações menores nos demais pregões, levaram o índice a uma alta superior a 8% — o melhor desempenho desde março de 2020.
Expectativas eleitorais e fiscais
Os investidores acompanharam pesquisas que mostravam Flávio Bolsonaro à frente de Luiz Inácio Lula da Silva na disputa pelo segundo turno, marcado para 25 de outubro. Levantamento do Datafolha divulgado em 8 de outubro apontou 52% para Flávio e 48% para Lula em votos válidos. Pesquisa da AtlasIntel/Bloomberg divulgada na sexta-feira indicou 52,8% e 47,2%, respectivamente. No primeiro turno, Flávio recebeu 56,1 milhões de votos, ou 47,03% dos válidos, enquanto Lula teve 53,9 milhões, equivalentes a 45,16%.
Segundo Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, a reavaliação do risco político elevou a expectativa de controle de gastos e redução dos juros. Ele também apontou a entrada de capital estrangeiro e a queda dos juros futuros entre os fatores que favoreceram a Bolsa. Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do Grupo Axia Investing, avaliou que o desempenho do mercado acionário estava fortemente ligado ao cenário eleitoral.
Riscos para a continuidade da alta
A valorização, porém, ainda depende de medidas concretas. Lima afirmou que a expectativa de ajuste fiscal precisa se traduzir em ações capazes de reduzir o risco da dívida pública. Entre os riscos citados por analistas estão a inflação pressionada, o petróleo elevado e a possibilidade de frustração das expectativas eleitorais e econômicas.
O segundo turno presidencial está previsto para 25 de outubro.
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- Dólar cai 4,43% na semana após 1º turno, maior recuo desde 1994 (esta matéria)