Francis Halzen ganha Nobel de Física por detector de neutrinos
Físico foi reconhecido por contribuições ao IceCube, observatório instalado em um quilômetro cúbico de gelo na Antártida, e pela detecção de neutrinos cósmicos.
Em resumo
- Francis Halzen recebeu o Nobel de Física de 2026 pelo trabalho ligado ao IceCube.
- O observatório usa sensores instalados em um quilômetro cúbico de gelo na Antártida.
- A detecção de neutrinos de alta energia abriu uma nova forma de estudar o Universo.
O anúncio foi feito nesta terça-feira (6) pela Real Academia Sueca de Ciências. O prêmio é de 12 milhões de coroas suecas, valor equivalente a cerca de R$ 6,2 milhões, segundo as informações divulgadas pela academia.
Como funciona o IceCube
Como elas raramente interagem com a matéria, a observação exige um volume muito grande de material: quando um neutrino colide com o núcleo de um átomo, a interação produz um clarão de luz que pode ser captado por sensores.
O IceCube ocupa um quilômetro cúbico de gelo na Antártida e foi concluído em 2011. O observatório tem milhares de sensores instalados em profundidade. Eles registram a luz gerada pelas colisões, permitindo aos pesquisadores reconstruir informações sobre a direção e a energia dos neutrinos.
A academia destacou que a visão e a liderança científica de Halzen foram fundamentais para a criação do instrumento. Mark Pearce, presidente do Comitê Nobel de Física, afirmou que o trabalho do cientista abriu caminho para um novo tipo de astronomia.
Uma nova forma de observar o Universo
Neutrinos de alta energia podem trazer informações sobre ambientes cósmicos que aceleram partículas a níveis muito superiores aos alcançados em laboratórios terrestres. Segundo a explicação apresentada pela academia, eles chegam sem mudar de direção nem perder energia, o que permite relacioná-los às regiões do Universo em que foram produzidos.
Com o IceCube, pesquisadores identificaram os primeiros neutrinos cósmicos de alta energia e, posteriormente, detectaram partículas que se originaram além do Sistema Solar. A descoberta permitiu iniciar a busca pelas fontes cósmicas desses neutrinos e contribuiu para o desenvolvimento da astronomia de neutrinos.
Halzen tem cidadania belga e americana, nasceu na Bélgica e é professor da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos. O observatório segue coletando dados e passou por uma atualização em 2026 para ampliar suas capacidades de pesquisa.