Queimadas no Amazonas: FAB inicia voos de combate ao fogo
Estado registrou 540 novos focos em dois dias; ministro atribui incêndios a ação humana intencional e cargueiro fará até três missões diárias.
Em resumo
- A FAB fez o primeiro voo de combate aos incêndios nesta segunda-feira.
- O Amazonas registrou 540 novos focos em dois dias.
- Capobianco atribuiu os incêndios a ação humana intencional.
A Força Aérea Brasileira (FAB) iniciou nesta segunda-feira (12) os voos de combate aos incêndios florestais no Amazonas, após o estado registrar 540 novos focos em dois dias. O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, avaliou que os incêndios resultam de ação humana intencional, possivelmente para degradar o bioma e preparar áreas para futuros desmatamentos.
O primeiro voo do cargueiro KC-390 Millennium decolou de Manaus por volta das 9h. Segundo a FAB, outras duas decolagens estavam previstas para o mesmo dia, e o planejamento é realizar, em média, três missões diárias. A aeronave usa o Sistema Modular Aerotransportado de Combate a Incêndios (MAFFS), que permite lançar água ou líquido retardante de chamas.
Focos e suspeita de ação intencional
Os 540 focos registrados nos dois dias representam mais da metade dos 874 identificados em todo o mês de outubro de 2025, segundo o painel Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No sábado (10), começaram 494 focos no Amazonas. Na mesma data do ano anterior, o Inpe não havia registrado novos focos no estado.
Capobianco e o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, sobrevoaram o Amazonas no domingo (11) e observaram fogo em áreas florestais de difícil acesso. Capobianco afirmou que, por não haver fogo espontâneo no bioma amazônico, considera os focos resultado de ação humana intencional. “É fundamental que as pessoas que estão agindo criminosamente vejam que serão punidas”, disse.
Durante o primeiro voo, a tripulação encontrou grande concentração de fumaça e mapeou focos ativos para planejar as ações. A FAB informou que as missões dependem das condições de voo. No fim de semana, Capobianco disse que o início das operações havia sido afetado por problemas de teto e que os voos seriam realizados quando o tempo permitisse.
Reforço e atendimento
A operação federal já contava com aeronaves mobilizadas desde domingo. O Ibama enviou seis aeronaves — quatro aviões Air Tractor e dois helicópteros — e 290 brigadistas. Segundo o presidente do instituto, Jair Schmitt, cada aeronave de lançamento de água pode despejar cerca de 3 mil litros por operação. A Força Nacional do SUS também atua em municípios em emergência.
Nos dez primeiros dias de outubro, o Amazonas contabilizou 1.380 focos, aumento de 271% sobre os 372 registrados no mesmo período de 2025, conforme o Painel do Fogo, do Censipam. A fumaça levou a Defesa Civil de Manaus a emitir alerta de risco à saúde, e 36 municípios tiveram situação de emergência reconhecida em caráter sumário.
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