Atos pró-Lula chegam a 37 cidades; efeito eleitoral é incerto
Manifestações ocorreram em ao menos 24 capitais desde 9 de outubro; especialistas apontam possível impacto na abstenção, mas veem dificuldade para converter
Em resumo
- Atos pró-Lula foram registrados em ao menos 37 cidades desde 9 de outubro.
- Especialistas veem potencial para mobilizar eleitores e reduzir a abstenção.
- Analistas consideram difícil que manifestações convertam votos diretamente.
Manifestações em apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram registradas em ao menos 37 cidades brasileiras desde 9 de outubro, incluindo 24 capitais, em mobilizações para o segundo turno de 25 de outubro. Cientistas políticos ouvidos sobre o tema avaliam que os atos podem animar apoiadores e influenciar a abstenção, mas consideram difícil que, por si só, transformem votos.
Os maiores eventos ocorreram na avenida Paulista, em São Paulo, no domingo (11), e em Copacabana e na Lapa, no Rio de Janeiro, na segunda-feira (12). Na terça-feira (13), apoiadores se reuniram no Largo da Batata, na capital paulista, para o chamado “Ato da Virada”. Também houve mobilização estudantil na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, contra Flávio Bolsonaro (PL) e em apoio a Lula.
Abstenção é um dos focos
Andreza Aruska, diretora do Instituto Brasil da universidade King’s College London, afirmou que atos de rua podem influenciar a eleição ao informar e motivar eleitores, especialmente indecisos e pessoas que poderiam deixar de comparecer às urnas. Ela também avalia que as manifestações podem expor participantes a opiniões diferentes das que circulam em suas redes sociais.
Maria do Socorro Braga, professora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), apontou potencial para reduzir a abstenção e os votos brancos e nulos. No primeiro turno, 33,4 milhões de pessoas não votaram, o equivalente a 21,08% do eleitorado, segundo os dados citados pela professora. Brancos e nulos somaram 4,77%. Para Braga, a mobilização mantém o clima eleitoral ativo e pode estimular eleitores desmotivados a comparecer.
Rodrigo Prando, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, relacionou os atos à reação da campanha petista após críticas de que faltou mobilização da base no primeiro turno. Flávio obteve 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula. Segundo Prando, a presença de grupos de fãs organizados nas redes e de jovens marcou a mobilização de domingo.
Engajamento nas redes
Os especialistas convergem na avaliação de que manifestações dificilmente convertem diretamente eleitores em votos, mas divergem sobre o efeito no comparecimento.
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- Lula e Flávio buscam mobilizar eleitores ausentes no 1º turno
- Atos pró-Lula chegam a 37 cidades; efeito eleitoral é incerto (esta matéria)