Fim da escala 6×1: entidades estimam alta de custos e preços
CNI projeta aumento de 6,2% nos preços; construção civil prevê necessidade de contratar 288 mil trabalhadores adicionais em 2027.
Em resumo
- A CNI estima alta de 6,2% nos preços ao consumidor.
- A CBIC projeta a contratação de 288 mil trabalhadores adicionais em 2027.
- Entidades apontam riscos para custos, obras, serviços e empregos formais.
Entidades da indústria, da construção civil e de bares e restaurantes estimam que o fim da escala 6×1 pode elevar custos de produção, pressionar preços e dificultar a manutenção de serviços e obras. As projeções foram divulgadas após o Senado aprovar, em dois turnos, a proposta que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte salarial. As entidades também apontam riscos para o emprego formal e pedem transição e debate sobre os efeitos da mudança.
Projeções de custos e preços
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) calcula que a alteração pode elevar os custos de produção em até R$ 267,2 bilhões e os preços ao consumidor em 6,2%, em média. A entidade estima ainda uma redução de 0,7% no Produto Interno Bruto, equivalente a R$ 76,9 bilhões. Na projeção, produtos industrializados teriam alta média de 6%; roupas e calçados poderiam subir até 6,6%, e compras de supermercado, 5,7%.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, criticou a aprovação sem debate mais amplo e defendeu que o Congresso reavalie o tema após examinar os impactos sobre inflação e competitividade. A entidade também menciona possíveis demissões, insegurança jurídica e a necessidade de reorganizar escalas e processos produtivos.
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais alertou para o risco de perda de empregos formais e argumentou que a redução da jornada, sem aumento proporcional de produtividade, pode encarecer produtos e serviços. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, por sua vez, apontou risco de informalidade e de despesas maiores para as famílias, incluindo custos de condomínio. Seu presidente, Paulo Skaf, defendeu que a mudança fosse discutida fora do calendário eleitoral.
Construção civil e serviços
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) estima que o setor precisaria contratar cerca de 288 mil trabalhadores adicionais ainda em 2027. A entidade avalia que os custos podem pressionar a execução de obras de infraestrutura e programas habitacionais. Para o Minha Casa, Minha Vida, projeta cerca de 30 mil unidades financiadas a menos por ano, o que corresponderia a 83 mil pessoas a menos com acesso à casa própria. No saneamento, alerta para dificuldades de expansão, especialmente no Norte e no Nordeste.
A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) estima que os gastos com funcionários do setor podem subir cerca de 20%; para empresas que já adotam jornada de 40 horas semanais, calcula aumento de 9,1%. A associação afirma que parte do custo pode ser repassada ao consumidor e que ampliar equipes pode ser necessário para manter a oferta de serviços. Também estima que, entre os cerca de 15 milhões de trabalhadores atualmente na escala 6×1, seriam necessários mais 3 milhões de profissionais para compensar a redução de um dia trabalhado por semana.
No mercado imobiliário, a Associação Brasileira das Incorporadoras estima alta de 5,5% nos preços dos imóveis com a jornada de 40 horas. Estudo da entidade com a consultoria Ecconit indica que até 2,5 milhões de famílias poderiam perder acesso ao financiamento habitacional. A Abrasel defende mais tempo para adaptação das empresas e apoia uma proposta de contratação por horas trabalhadas.
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Linha do tempo
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