USDA eleva produção e estoques de soja e milho dos EUA
Projeções para a safra 2026/27 superaram expectativas do mercado e pressionaram as cotações dos grãos em Chicago em 9 de outubro.
Em resumo
- USDA elevou as projeções de produção de soja e milho dos EUA.
- Estoques finais das duas culturas ficaram acima das expectativas do mercado.
- Soja e milho recuaram em Chicago após o relatório de outubro.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou as estimativas de produção e de estoques de soja e milho norte-americanos para a safra 2026/27, acima das expectativas médias do mercado. Após a divulgação do relatório de outubro, os grãos recuaram em Chicago nesta sexta-feira, 9 de outubro: por volta das 14h42, a soja para novembro caía 0,45%, a US$ 12,81, e o milho para dezembro recuava 4,9%, a US$ 4,75.
Produção maior que a prevista
Para o milho, o USDA projetou uma produção de 407,28 milhões de toneladas, ante 401,33 milhões no relatório de setembro. Em bushels, a estimativa passou a 16,034 bilhões, com produtividade média de 181,2 bushels por acre. Em setembro, a projeção era de 15,8 bilhões de bushels e 178,5 bushels por acre. Analistas esperavam uma produção menor, de 15,721 bilhões de bushels.
Se confirmada, a safra de milho será a segunda maior já registrada nos Estados Unidos. A área plantada e a colhida permaneceram inalteradas nas estimativas, enquanto a produtividade foi revisada para cima.
O USDA também elevou a produtividade média, de 52,8 para 53,1 bushels por acre. A projeção equivale a um recorde de 4,562 bilhões de bushels, segundo os dados do relatório.
Estoques e reação do mercado
Os estoques finais de milho nos Estados Unidos foram estimados em 46,97 milhões de toneladas, acima dos 39,79 milhões projetados em setembro e da expectativa média de aproximadamente 43,13 milhões. Para a soja, a estimativa ficou em 8,57 milhões de toneladas, contra 8,43 milhões no relatório anterior e expectativa de cerca de 8,05 milhões.
O aumento da oferta projetada pressionou as cotações, embora a evolução dos preços também dependa da demanda e das condições de produção em outros países. O relatório elevou ainda as estimativas de exportação de milho e soja dos Estados Unidos.
A revisão das estimativas gerou questionamentos entre operadores e analistas, diante de relatos de danos à qualidade das lavouras e atrasos na colheita provocados pelas chuvas de setembro. Jim Gerlach, presidente da A/C Trading, disse que o resultado foi inesperado e pareceu contrariar evidências observadas no campo. Anthony Prillaman, funcionário do USDA, afirmou que a agência usou pesquisas com agricultores, amostras de campo e dados de satélite. Até domingo, haviam sido colhidos 23% do milho e 25% da soja, abaixo das médias de cinco anos, de 27% e 33%, respectivamente.