Laranja industrial perde poder de compra de fertilizantes em SP
Entre agosto e outubro de 2026, a queda da fruta reduziu a relação de troca dos citricultores paulistas; a lima ácida tahiti valorizou.
Em resumo
- A queda da laranja industrial reduziu o poder de compra de fertilizantes em SP.
- A lima ácida tahiti valorizou entre agosto e outubro de 2026.
- Os preços dos fertilizantes tiveram pouca variação no período.
Entre agosto e outubro de 2026, a queda nas cotações da laranja destinada à indústria reduziu o poder de compra de fertilizantes dos citricultores paulistas, enquanto a valorização da lima ácida tahiti melhorou a relação de troca para os produtores da variedade. O levantamento é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), ligado à ESALQ/USP, e aponta que os fertilizantes tiveram pouca variação no período.
Laranja industrial enfrenta relação de troca desfavorável
Segundo pesquisadores do Cepea, a redução do preço recebido pela laranja industrial pressionou a quantidade de fertilizantes que os produtores conseguem adquirir com a receita da fruta. Como os preços dos adubos permaneceram relativamente estáveis, as mudanças na capacidade de compra foram associadas principalmente às cotações das frutas cítricas.
A piora ocorre em uma etapa importante do calendário agrícola, quando é necessário realizar a adubação dos pomares. De acordo com os pesquisadores, a dificuldade para comprar os insumos pode comprometer a aplicação de doses adequadas caso os produtores enfrentem restrições financeiras.
Com menor receita por caixa comercializada, o citricultor pode precisar empregar uma parcela maior dos recursos obtidos com a venda da produção para comprar a mesma quantidade de fertilizante. Esse cenário também pode dificultar o planejamento financeiro das propriedades e exigir atenção à organização dos custos da atividade.
A nutrição das plantas é apontada como parte importante do manejo dos pomares, com influência sobre o desenvolvimento vegetativo e o potencial produtivo das árvores. A pressão sobre a relação de troca, portanto, ocorre justamente no período em que a adubação precisa ser planejada.
Tahiti tem resultado diferente
Para a lima ácida tahiti, o movimento foi favorável. A alta das cotações entre agosto e outubro, combinada à pouca variação nos preços dos fertilizantes, melhorou a relação de troca e as condições para que os produtores adquirissem adubos.
A valorização amplia a margem de planejamento das despesas com a nutrição dos pomares, mas não determina sozinha a rentabilidade. Segundo o levantamento, o resultado efetivo também depende de fatores como produtividade e custos de colheita, transporte e comercialização.