Boi gordo bate recorde nominal de R$ 372,95 em São Paulo
Oferta restrita e escalas de abate entre cinco e sete dias sustentam a alta; cotação média paulista chegou a R$ 375,58 na terça-feira.
Em resumo
- A arroba paulista registrou recorde nominal de R$ 372,95 na segunda-feira.
- Escalas curtas e oferta limitada sustentam a pressão de alta.
- Tarifas chinesas e exportações de gado vivo afetam a oferta brasileira.
A arroba do boi gordo em São Paulo alcançou R$ 372,95 na segunda-feira, recorde nominal, em meio à oferta reduzida de animais e à demanda interna firme. Na terça-feira, as escalas de abate continuavam curtas, entre cinco e sete dias úteis, e outra referência de mercado apontou preço médio de R$ 375,58 no estado, ante R$ 366,42 no dia anterior.
Oferta menor e escalas curtas
O pesquisador Thiago Bernardino de Carvalho, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, afirmou que a incerteza sobre as tarifas impostas pela China contribuiu para reduzir a oferta atual. Segundo ele, o cenário não estimulou confinadores a colocar animais no cocho entre junho e julho, o que diminuiu a quantidade de bovinos prontos para abate neste período.
A programação dos frigoríficos concentrada em cinco a sete dias úteis mantém as empresas ativas na compra de animais. Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, afirmou que frigoríficos de maior porte também elevaram suas indicações de compra. Ele avaliou que a perspectiva de curto prazo segue favorável a novos reajustes, embora os valores praticados apresentem diferenças relevantes.
As referências divulgadas para terça-feira também apontaram altas em outros estados: Goiás registrou média de R$ 358,57; Minas Gerais, R$ 365,29; Mato Grosso do Sul, R$ 364,32; e Mato Grosso, R$ 345,88.
China, exportações e consumo
A China passou a cobrar, em 1º de outubro, tarifa adicional de 55% sobre os embarques brasileiros que excederem a cota anual de 1,1 milhão de toneladas. Antes da medida, exportadores reduziram os embarques ao país, segundo Carvalho, e a incerteza sobre as compras chinesas deixou a oferta mais ajustada. O pesquisador também apontou que as exportações brasileiras de gado vivo em 2026 diminuem a disponibilidade para a indústria local e pressionam os preços de reposição.
Apesar das restrições chinesas, o Brasil manteve vendas para outros mercados. Em setembro, as exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada somaram US$ 1,226 bilhão e 195,188 mil toneladas, conforme a Secretaria de Comércio Exterior. Carvalho citou os Estados Unidos entre os países que ampliaram as compras do produto brasileiro. Ao fim de setembro, também houve negócios para novas vendas à China, com expectativa de intensificação após o feriado no país, segundo o pesquisador.
No mercado interno, Carvalho apontou demanda firme e mudanças no consumo de proteínas. Já no atacado, a melhora na reposição elevou o preço do quarto traseiro em R$ 0,50, para R$ 28,50 por quilo. A carne bovina, porém, enfrenta concorrência de frango e cortes suínos, considerados alternativas mais acessíveis ao consumidor.