Ana Elisa: Ministério da Justiça pede investigação da PF
Deputada eleita relatou ameaças de morte e estupro; pasta também solicitou medidas às plataformas X e Meta.
Em resumo
- Ministério da Justiça pediu que a PF investigue as ameaças contra Ana Elisa.
- A pasta solicitou medidas às plataformas X e Meta.
- A deputada eleita afirmou que recebeu ameaças de morte e estupro.
O Ministério da Justiça pediu nesta sexta-feira (9) que a Polícia Federal investigue ameaças de morte e estupro enviadas pela internet à deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG). No mesmo dia, ela foi à sede da PF em Belo Horizonte e afirmou que a corporação já havia iniciado uma investigação sobre os perfis envolvidos. O pedido do ministério solicita a abertura de inquérito para identificar e responsabilizar os autores.
Pedido inclui plataformas digitais
Em ofício dirigido ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, a Secretaria Nacional de Acesso à Justiça afirmou que Ana Elisa é alvo de ameaças relacionadas ao posicionamento político e à participação dela na campanha presidencial. O documento pediu que a corporação adotasse as providências cabíveis e que X e Meta fossem acionadas para moderar os conteúdos e colaborar na identificação dos responsáveis.
A secretária de Acesso à Justiça, Sheila de Carvalho, disse que o governo considera haver indícios de uma rede que ultrapassaria as fronteiras de Minas Gerais. Segundo ela, é necessária uma ação das forças de segurança para responsabilizar quem possa estar colocando a vida da deputada eleita em risco. O ofício sustenta que o caso cabe à esfera federal por envolver, em tese, crimes cometidos pela internet com conteúdo misógino.
Deputada diz que mensagens eram frequentes
Ao falar com jornalistas na sede da PF, Ana Elisa relatou que vinha recebendo ataques racistas e misóginos, além de ameaças de morte e estupro. Ela afirmou que as mensagens chegaram a ser enviadas a cada dois minutos e que desativou temporariamente sua conta no X por causa do volume dos ataques. A deputada eleita disse que a medida foi tomada para preservar a segurança e que não deixaria de participar da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno.
Há uma diferença entre o pedido oficial e o relato da parlamentar sobre o andamento do caso: o Ministério da Justiça solicitou que a PF abra inquérito, enquanto Ana Elisa afirmou que a corporação já tinha iniciado uma investigação. As informações divulgadas não detalham se o pedido ministerial já havia sido formalmente atendido.
A deputada eleita relacionou o aumento dos ataques à repercussão de disputas políticas nas redes. Ela também negou ter publicado uma mensagem que pedia o fechamento de igrejas e disse que a imagem atribuída a ela era uma montagem. Em nota, sua equipe afirmou que pediria uma perícia sobre o conteúdo. Ana Elisa esteve na PF acompanhada do deputado federal Rogério Correia (PT-MG).